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O ‘chicote hereditário’ nas costas do povo

José Reinaldo Carvalho *

As arbitrariedades que no cenário do golpe de Estado vêm sendo cometidas pelos torquemadas do Ministério Público, juízes de primeiro grau, tribunais de segunda instância e membros da corte suprema mostram que vivemos no Brasil tempos de opróbrio, crueldade, injustiça e infâmia.


Em meio a tamanho transe, vale recordar o que disse Marx em sua obra “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” sobre a “escola histórica do direito”: “uma escola que legitima a infâmia de hoje com a infâmia de ontem, uma escola que declara como rebelde cada grito do servo contra o chicote, desde que o chicote seja um chicote idoso, um [chicote] hereditário, um [chicote] histórico…”

Está em curso a instauração de um novo tipo de regime ditatorial no Brasil. Os primeiros sinais surgiram com o golpe de Estado de 2016 quando uma camarilha reacionária formada por setores majoritários do Congresso Nacional, em conluio com a mídia monopolizada, a polícia política em que se converteu a Polícia Federal, setores do Ministério Público e do Poder Judiciário, decidiu interromper o ciclo político democrático inaugurado com a Constituinte de 1987-1988 e a fase dos governos progressistas iniciada desde a primeira eleição do presidente Lula.

Os manipuladores do “chicote hereditário”, representantes das classes dominantes, mostraram-se ciosos na defesa dos seus interesses classistas. Monopolizam o poder político há séculos não para distribuir renda nem universalizar a fruição de direitos, mas para viver às custas do saque das riquezas nacionais e da espoliação do povo trabalhador.

Empenhadas na edificação de um novo regime, as classes dominantes mutilam a democracia, investem na criminalização das forças políticas de esquerda e do movimento social, do que é exemplo mais significativo a condenação judicial de Lula. Mais uma vez na história tortuosa da República no Brasil, é com o látego vetusto que essas classes pretendem organizar o sistema político, brandindo o lema “ordem e progresso”, para antagonizar a liberdade, a independência, os direitos sociais e o desenvolvimento.

Na empreitada, decidiram abater a liderança das forças progressistas, impedir que volte a governar o país porque é imperioso interditar o enfrentamento dos problemas sociais e interromper a busca por um lugar autônomo e protagonista do Brasil no mundo.

A criminalização dos movimentos sociais e das forças políticas transformadoras ocorre a par com o uso atrabiliário das armas do “direito”, em que liberais de fancaria não coram ao usar os mais torpes argumentos. Em nome da suposta defesa de direitos “coletivos e difusos”, atacam-se os direitos individuais, mantêm-se cidadãos presos sem culpa formada ou qualquer mínima prova, numa sucessão interminável de atos arbitrários baseados em “convicções; criminaliza-se a atividade política democrática e progressista exercida pelas classes oprimidas. Cúmulo da hipocrisia é a invocação que se faz aos direitos coletivos, porquanto estes são também vilipendiados – o direito ao trabalho, os direitos humanos em lato e estrito sentido, o direito à saúde, educação, moradia, salário digno, ao consumo garantidor do bem-estar para todos, e uma infinidade de direitos usurpados pelos opressores do povo entrincheirados no regime golpista.

O plano dos golpistas é completar a mutilação da vida democrática com a transformação da eleição em farsa. Porque é disto que se trata quando eleições presidenciais, que decidem sobre a força política que ocupará o vértice do poder nacional, são realizadas consoante normas impostas para assegurar previamente a vitória de um lado, com a exclusão da parte adversária, pretextando argumentos juridicos fraudulentos.

Isto é ainda mais evidente quando, segundo todas as sondagens de opinião pública, apesar da repugnante campanha difamatória e da condenação judicial, Lula lidera a disputa presidencial. É um dado óbvio que Lula candidato, à frente de uma coalizão democrática, patriótica e progressista que tenha a esquerda por núcleo e conformação ampla está habilitado a vencer de novo a eleição presidencial.

Impedir a concretização deste desenlace, pela via da prisão do candidato e do cancelamento de sua candidatura, para além de ser uma violência, vai, sim, transformar o pleito de 2018 numa rematada fraude.

Ainda está ainda por ser feito o debate sobre como as forças de esquerda devem agir em tal circunstância, sobre as saídas táticas para acumular na batalha eleitoral que, de resto, será um entre uma miríade de episódiios da velha e boa luta de classes cujo desfecho histórico não há de ser outro senão a “volta do cipó de aroeira” no lombo de quem hoje, em nome de um injusto e infame direito, desce o látego contra o dorso dos oprimidos .

Mesmo num momento de refluxo e desorganização das lutas, fragmentação das forças de esquerda e tendência de alguns à acomodação, a reação popular – que nunca deve ser subestimada – é imprevisível e pode ser surpreendente.

* * José Reinaldo Carvalho é jornalista, pós-graduado em Política e Relações Internacionais. É secretário de Política e Relações Internaconais do PCdoB

 
* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.

Polícia Federal passará a investigar crimes de misoginia na internet

 

Reprodução da Internet
  

As propostas constavam na pauta prioritária apresentada pela bancada feminina ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, por ocasião do Dia Internacional da Mulher (8).

Misoginia

Uma das conquistas foi a aprovação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 186/17, que delega à Polícia Federal a investigação de crimes associados à divulgação de mensagens de conteúdo misógino, ou seja, que propagam ódio ou aversão às mulheres, pela internet.

A proposta altera a Lei 10.446/02, que trata da atuação da Polícia Federal. O texto foi relatado pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e segue para sanção presidencial.

“Causa imensa preocupação os constantes ataques misóginos que vêm ocorrendo na rede mundial de computadores, com a finalidade de difundir discurso de ódio e aversão às mulheres. É preciso que as pessoas se conscientizem de que, em pleno século 21, não há mais espaço para a intolerância. Ao contrário, há muito é chegada a hora de se reconhecer o pluralismo e, sobretudo, a igualdade de gênero”, defendeu Gleisi.

Para a senadora, a investigação dos crimes relacionados à misoginia por meio da internet deve ter máxima prioridade, principalmente pela rápida propagação das informações na rede. Além disso, a PF, por ser uma força policial mais bem estruturada, conseguiria mais eficiência e celeridade nas investigações.

Ao atribuir a investigação desses crimes à Polícia Federal, o projeto tem objetivo de coibir a ocorrência de casos como o da ativista feminista Lola Aronovich, professora de Literatura em Língua Inglesa na Universidade Federal do Ceará (UFC) e autora do blog Escreva Lola Escreva. Ela foi vítima de ataques e ameaças online há algum tempo, sem que a polícia conseguisse identificar os responsáveis.

Gleisi destacou ainda que o texto do projeto "harmoniza-se com o disposto no art. 144, §1º, inciso I, da Constituição Federal, uma vez que a prática de crimes cibernéticos gera repercussão interestadual ou internacional e exigirá repressão uniforme".

Em pronunciamento na tribuna do Senado, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) pediu à Presidência da República que não vete a proposta.

“Esse projeto não pode ser vetado. É muito importante para as mulheres brasileiras porque dá um caráter de federalização a esse crime, porque a internet não tem limites de municípios, de estados. Garantir que a Polícia Federal seja responsável por essa investigação é fundamental”, defendeu.

Medidas protetivas

Já o PLC 4/16, que também segue para sanção presidencial, torna crime o descumprimento das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) para proteger mulheres vítimas de algum tipo de violência doméstica ou familiar.

O texto estabelece pena de detenção de três meses a dois anos para o agressor que desobedecer a decisão judicial nesse sentido.

'Vingança pornográfica'

Também foi aprovado o PLC 18/17, que determina a reclusão de dois a quatro anos, mais multa, para quem cometer o crime conhecido como “vingança pornográfica” — o registro ou divulgação, não autorizada, de cenas da intimidade sexual de uma pessoa, geralmente praticado por ex-parceiros das vítimas.

A matéria foi alterada no Senado e, por isso, retorna à análise da Câmara dos Deputados.


 

Do Portal Vermelho, com Agência Senado

45% dos feminicídios foram motivados por separação e 30% por ciúmes

 

 

 

Elza Fiuza/Agência Brasil
Em 75% casos a vítima tinha laço afetivo com o agressor, ou seja, era casada ou namorava.Em 75% casos a vítima tinha laço afetivo com o agressor, ou seja, era casada ou namorava.


Os dados divulgados nesta quinta-feira (01) pelo Ministério Público são alarmantes. Segundo o “Raio-X do Feminicídio”, em São Paulo, mais da metade dos casos de feminicídio aconteceram dentro de casa (66%), enquanto 6% foram em via pública, 5% no trabalho e 5% em estabelecimentos públicos. Desse total, em 75% casos a vítima tinha laço afetivo com o agressor, ou seja, era casada ou namorava.

Os principais motivos para feminicídio em São Paulo são separação ou pedido de separação (45%), por ciúmes ou posse (30%) e 17% em meio a uma discussão. 

Para Mariana Venturini, vice-presidente nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM), essa pesquisa, infelizmente, revela que a casa ainda é o lugar mais perigoso para as mulheres e que, além disso, há a concepção de que a mulher é propriedade do homem. 

O caráter doméstico dos crimes é reafirmado não só pelo número de mulheres mortas pelos companheiros e em casa, mas também pela forma como são mortas, pois em 58% dos casos foram usadas armas brancas, isto é, com facas que são acessíveis facilmente.

Armas de fogo representam 17% das mortes, seguida por objetos de uso doméstico, como panela de pressão, cabos e móveis (11%). Cerca de 10% dos agressores asfixiaram as vítimas. Lembrando que o Brasil é o quinto país do mundo que mais mata mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

“Esses dados revelam como o machismo se expressa na violência contra as mulheres. Sabemos que a sociedade brasileira é estruturalmente machista e que a opressão da mulher está em todos setores da sociedade. Mas a pesquisa mostrou que o machismo mata”, analisou vice-presidente da UBM) em entrevista ao Portal Vermelho

O estudo ainda revelou que quase a totalidade das mulheres que morreram não fez boletim de ocorrência ou pediu medidas protetivas: das 124, apenas quatro fizeram. E que, dos crimes, 68% dos assassinatos de mulheres ocorreram de segunda a sexta-feira e à noite (35% das 18h às 24h), e não na madrugada, como o senso comum aponta. 

Isso também desmistifica o fato de que os atos desses homens teriam sido causados pelo consumo de bebidas alcoólicas.

Mariana destacou que apesar do Brasil ter uma das legislações mais avançadas do mundo, as políticas já existentes precisam ser aprimoradas para reversão desses números. Para além disso, há a necessidade plena aplicação das leis já existentes – como a Lei Maria da Penha - e da criação de mais políticas de proteção às mulheres. 

“Temos uma das legislações mais avançadas do mundo, mas temos um Estado que está na contramão quando retira investimentos dos direitos sociais. A Lei Maria da Penha, por exemplo, é considerada referência internacional de proteção das mulheres em situação de violência, entretanto, ela nunca foi integralmente implementada. E o Judiciário muitas vezes também não está capacitado para aplicar a Lei de Feminicídio. E agora [com o governo Temer] estamos em uma fase de enxugamento do Estado e as mulheres são as que mais precisam de proteção”, explicou. 

Questionada sobre quais políticas poderiam reverter esse quadro, a vice-presidente da UBM disse:

“Seria importante ter o controle e uma democratização dos meios de comunicação que pudessem proibir a espetacularização da violência contra a mulher e a objetificação do corpo feminino. Em suma, mudar todas essas ideias que colaboram para um ambiente social em que é aceitável tirar a vida de uma mulher, mas só isso não basta. Essa é a ponta preventiva da violência contra a mulher que deve ser feita junto com a educação da população, parte que é extremamente negligenciada. Assim, esses dados de violência contra a mulher são, infelizmente, naturalizados”, finalizou ao Vermelho

*Esse estudo foi realizado pelo próprio Ministério Público de São Paulo em 121 cidades do Estado e a pesquisa foi conduzida pela promotora do Núcleo de Gêneros do MP, Valéria Scarance.


 

 

Do Portal Vermelho

Colunistas: A Linguagem do Amor - por Fábio Campos

 

 

 

(Fotos: Arquivo Pessoal)

Por Redação

 

Encontrei aqui na web, no site de entretenimento MSN, matéria sobre o “Amor”. O linguista britânico Tim Lomas professor da Universidade Leste de Londres, afirma ter descoberto e catalogado a existência de 14 tipos de [formas de representar linguisticamente o] amor, distribuídos em 4 categorias diferentes. Lomas estudou a partir do vocabulário de 50 idiomas. Iniciou sua pesquisa em 2015, e reuniu mais de 1000 termos sobre o Amor.

Sobre o “Ato de Amar” são 600 palavras, nem sempre traduzíveis para outros idiomas, para o inglês, por exemplo. A ideia do autor [ vai lançar um livro: “Translating Happiness” “Traduzindo a Felicidade” em Português] é catalogar como o amor é definido nesses 50 idiomas.

E a matéria instiga: “Afinal o que é o Amor? Como explicar pra seu amigo alemão que sua mãe lhe chama de “xodó”, e que “apaixonar” é verbo e vem de “paixão”, que sentimos “saudade” quando estamos longe de alguém que amamos.” 

Clique Aqui e veja a crônica completa

MEC desmonta programa de formação de professores, critica Alice

 

 

 

 

Richard Silva/PCdoB na Câmara
  

Na avaliação da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), o programa corre o risco de ser extinto, uma vez que a validade do edital do Pibid e do Pibid Diversidade acaba em fevereiro deste ano e não tem previsão de prorrogação. 

“O programa ficará em suspenso por quase um semestre. Um semestre que pode ser a chave para desarticular e desencorajar alunos e professores que dia a dia lutam por uma educação de qualidade, dentro de um processo de ensino horizontal e transparente”, alertou a parlamentar.

Para Alice, apesar do discurso governista de “incentivo à educação”, Temer vem promovendo um verdadeiro desmonte no país e a educação pública não ficou de fora. A deputada classifica ainda de “criminosa” a gestão de Mendonça Filho na Pasta, com suas “reformas”, que não promovem melhoria na qualidade do ensino público brasileiro.

Um abaixo-assinado com mais de 318 mil assinaturas foi entregue ao MEC pelo Fórum Nacional dos Coordenadores Institucionais do Pibid (Forbidib). O documento pede a prorrogação do programa até agosto, mas ainda não sensibilizou o governo.

Criado em 2009 e regulamentado em 2013, o Pibid tem por objetivo contribuir com a formação dos discentes nas universidades, integrando os cursos de licenciaturas às escolas. O programa, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), tem por meta promover a inserção dos estudantes no contexto das escolas públicas. 


 

Do PCdoB na Câmara

 

LANÇAMENTO DE LIVRO DIA 17

 

 

 

 

22 fevereiro 2018


Capa do livro 230. (Foto: (Clerisvaldo B. Chagas)

Finalmente confirmado o lançamento do livro “230”, do escritor Clerisvaldo B. Chagas, no próximo dia 17 de março (sábado) às 20 horas, em cujo local será divulgado amanhã. O livro/enciclopédia é uma homenagem do autor aos 230 anos de Santana do Ipanema (1787-2017).

Trata-se de um monumento iconográfico à cidade, numa coletânea de fotos de edifícios e lugares históricos pela ordem cronológica, acompanhados de legendas explicativas, datas e datas aproximadas. É um trabalho inédito e único, destinado a um ciclo fechado de 100 guardiões da cultura santanense.

 

A enciclopédia acha-se dividida em seção normal com 131 fotos do autor; e seção nostalgia com 83 fotos de domínio público, em papel couchê e de forma artesanal com a marca da Gráfica Impresgraf, de Santana do Ipanema. As fotos nostalgia são apresentadas com a própria história de borrões, riscos, amassos, indicando repasses, abandono, carinho e esquecimento. O citado livro, capa-espiral, terá a apresentação dos escritores santanenses Fábio Campos e Marcello Fausto. 

Previsto para agosto do ano passado, o trabalho não ficou pronto devido a alguns problemas técnicos da gráfica, mas que foram superados com paciência e compreensão de todos os parceiros envolvidos.

Após o livro “230”, o autor enfrentará novas batalhas para publicar outras 09 obras inéditas, como: “Deuses de Mandacaru” (romance), “Fazenda Lajeado” (romance), “Papo-amarelo” (romance), “Colibris do Camoxinga” (poesias), “O boi, a bota e a batina; história completa de Santana do Ipanema” (didático), “Maria Bonita, a deusa das caatingas” (documentário), “Barra do Ipanema, um povoado alagoano” (histórico), “Repensando a Geografia de Alagoas” (didático) e “Padre Cícero, 100 milagres inéditos” (documentário).

O lançamento do livro “230” será uma noite sertaneja agradabilíssima.  

O ciclo espontâneo de 100 livros acha-se completo, havendo a possibilidade mínima de desistência, para tantos pedidos extras que vão surgindo.

Logo os convites estarão circulando.

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de fevereiro de 2018

Crônica 1.848 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Fonte: Blog do Clerisvaldo/Alagoasnanet

 

 

 

 

Iniciada formação para Avaliação Nacional da Alfabetização

Técnicos pedagógicos receberão formações da Seduc em quatro polos: Maceió, Santana do Ipanema, Arapiraca e Porto Calvo

foto 8 - Iniciada formação para Avaliação Nacional da Alfabetização
↑ Com a Avaliação Nacional da Alfabetização este ano, Seduc potencializa formações nos municípios (Foto: Valdir Rocha)

O Governo de Alagoas, por meio da  Secretaria de Estado da Educação (Seduc), fortalecerá ainda mais as ações de cooperação técnica com os municípios alagoanos. O motivo é que este ano ocorre a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA),  iniciando-se nesta quarta-feira (21), com as formações trabalhando as metodologias dos anos iniciais para desenvolvimento dos profissionais das Secretarias Municipais de Educação (Semeds). A primeira formação ocorreu no Centro de formação Professor Ib Gatto Falcão (Cenfor).

Este momento inicial seguirá até a próxima semana, em quatro polos, para doze das treze Gerências Regionais de Educação (Geres). No dia 22 de janeiro, em Arapiraca, na Escola Estadual Professora Izaura Antônia Lisboa (Epial), a partir das 8h30, para municípios que abrangem 3ª, 5ª e 9ª geres; no dia 23, em Santana do Ipanema, para todo Sertão, o que inclui 6ª, 8ª e 11ª geres; no dia 26, em Porto Calvo, para a Região Norte, 10ª gere, e no dia 28, em Maceió, no auditório da 13ª Gere, no Cepa, para 1ª, 2ª, 4ª, 7ª e 12ª Geres.

O planejamento para formações está estruturado pela superintendência de sistema da Seduc para o ano todo, com base nas demandas encaminhadas pelas Semeds, segundo a gerente de articulação institucional, Ana Marcia Cardoso Ferreira.

“Na atual gestão, estamos fazendo um trabalho com os técnicos das Semeds atendendo às suas demandas. Como este ano temos a perspectiva de avaliação de alfabetização, nós já estamos começando as formações com metodologias neste sentido, para auxiliá-los ao longo do ano, com base também nas áreas de interesse deles, como: correção de fluxo, progressão parcial, planejamento pedagógico, plano de aula e de ensino, e outras. Nós temos formações planejadas até o final do ano”, afirma Ana Márcia.

Santanense vence concurso literário promovido pela Academia Pernambucana de Letras

 

 

 

 

 

(Fotos: Assessoria)

Por redação com APL

 

 

O livro A Menina que vendia rosas encarnadas, de Manoel Constantino Filho, venceu o prêmio Elita Ferreira de Literatura

No dia 29 de janeiro, o público lotou o auditório da Academia Pernambucana de Letras para a cerimônia comemorativa dos 117 anos com a posse da nova diretoria eleita, entrega dos Prêmios Literários de 2017, lançamento da Revista nº 46 da APL. 

Várias autoridades estiveram presentes como o escritor membro da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vinicios Vilaça; o secretário de cultura, Marcelino Granja; a diretora presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco –  Fundarpe, Márcia Souto; o presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região – TRF5, Manoel Erhardt e a conselheira do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco – TCE/PE, Tereza Duere. Ao término da solenidade, houve, nos jardins, apresentação especial do compositor Getúlio Cavalcanti, do Bloco das Flores e do Bloco Lírico Carnaval Poeta. 
 

 



O Santanense Manoel Constantino Filho venceu o Prêmio ELITA FERREIRA – Literatura Infantojuvenil – (Inédito), Patrocinado pela Editora Bagaço. “A Menina que vendia rosas encarnadas”.

Veja o vídeo do momento da entrega do prêmio ao santanense Manoel Constantino Filho.


 

 



A conquista do prêmio pelo santanense foi destaque no Jornal do Commercio, edição de m29 de janeiro de 2018.
 

 



Fonte: http://www.aplpe.org.br/apl-celebra-117-anos/

 

 

 

 

 

 

 

 

O centenário de Jacob do Bandolim, um dos maiores da nossa música

Tainan Rocha
Ilustração de Tainan Rocha, especial para o <b>Vermelho</b>Ilustração de Tainan Rocha, especial para o Vermelho


Jacob foi o autor de clássicos como “Vibrações”, “Doce de Coco”, “Noites Cariocas, “Assanhado” e “Receita de Samba”. Estes cinco choros bastariam para justificar uma vida. No entanto, o controverso Jacob fez mais, muitos mais.

Suas composições estão entre algumas das melodias mais executadas nas rodas de choro de todo o Brasil. Elas trazem estruturas harmônicas e construções melódicas que soam, ainda hoje, tantos anos depois, como extremamente modernas e elaboradas.

Tanto se atribui ao jazz e aos impressionistas europeus a formação estrutural da bossa nova, mas se esquecem que por aqui, nas ruas do Rio de Janeiro, tudo aquilo já era gestado com naturalidade, por grandes instrumentistas e compositores, entre eles, Jacob e Pixinguinha.

O próprio Jacob, no antológico show de Elizeth Cardoso, em 1968, ao lado do seu grupo, o também lendário Época de Ouro, e do Zimbo Trio, fez questão de executar o clássico seminal da bossa “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, ao lado do famoso trio. O que se ouvia naquele momento, eternizado em disco, ficou para a posteridade como um encontro de eras. Através do talento de Elizeth, dois mundos se reencontravam para a atestar o quanto um devia ao outro, o tanto um vinha do outro.

Tanto a bossa nova quanto o choro passam por fenômenos parecidos. Vez ou outra são reinventados e voltam a tocar intensamente. A diferença, e pode-se afirmar com toda a certeza, é que enquanto a bossa só tem um Tom Jobim, o choro tem vários deles, entre os quais e sem sombra de dúvidas, está o Jacob.

Seus discos são lindos e repletos de variações. Muitos com o pequeno regional, outros com cordas. Desde 1947 até morrer, em agosto de 1969, gravou dezenas deles em vários formatos. Mesmo depois de sua morte, continuou sendo homenageado, tanto em relançamentos quanto álbuns com artistas recuperando e relendo a sua obra.

Jacob era tido como uma pessoa chata e geniosa, de temperamento forte e difícil. Competitivo, detestava Waldir Azevedo e, ao responder sobre os três maiores gênios do choro respondia sem pestanejar: “Pixinguinha, Pixinguinha e Pixinguinha”. E foi justamente após uma visita ao mestre que, ao chegar em casa, teve um segundo infarto, desta vez fulminante.

O legado deixado por Jacob permeia a nossa música desde então. A sua influência sobre músicos excelentes como Pepeu Gomes, Armandinho e, mais atualmente, Hamilton de Holanda é inegável. Tradicionalista, detestaria o que os três andaram fazendo com a sua música, desde executá-la com guitarras elétricas até improvisos extensos em um bandolim de dez cordas.

O fato é que, paradoxalmente, apesar de ser um grande tradicionalista, a sua música foi, e permanece até hoje, extremamente revolucionária. Jacob tem tanta importância para a nossa música quanto os maiores. Poucos, muito poucos, na música brasileira, conseguiram tanto prestígio e reconhecimento fazendo música instrumental.

Jacob é um deles.

Ouça algumas canções do mestre Jacob: 









 

*Julinho Bittencourt é jornalista, músico e redator da Revista Fórum

A presença da tradição oral na literatura para crianças

 

 

 

 

Divulgação
Apropriando-se de contos que pertencem a todos, os jovens sem individualidade-história podem ser ajudados a se inventarem, a criar a própria históriaApropriando-se de contos que pertencem a todos, os jovens sem individualidade-história podem ser ajudados a se inventarem, a criar a própria história


Cascudo preocupa-se em garantir a veracidade do papiro egípcio, encontrado na Itália em 1852, e informa que o rudimento de livro para criança é um conto popular com os enredos próprios da época dos faraós, mas que também vivem nas histórias tradicionais do Brasil, apesar do tempo e da distância que os separam.

Cascudo observa que o registro das narrativas orais tem recebido menos atenção que o da poesia popular. Insiste na importância do conto popular tradicional como formador de uma memória emocional, social e antropológica. Segundo ele: “O conto é um vértice de ângulo dessa memória e dessa imaginação. A memória conserva os traços gerais, esquematizadores, o arcabouço do edifício. A imaginação modifica, ampliando pela assimilação, enxertias ou abandonos de pormenores, certos aspectos da narrativa”.

O erudito ensaio de Cascudo vale, sobretudo, por chamar atenção para o processo de construção da narrativa: a memória como arcabouço estruturante e a imaginação com seus acréscimos e transformações. Essa teoria em parte está contida em Walter Benjamin, quando ele identifica dois tipos de narradores que se complementam: O viajante, que vive a experiência lá fora no mundo, ouve histórias em suas andanças e, ao retornar à pátria, conta o que viveu, viu e ouviu. O segundo tipo de narrador é o sedentário, aquele que sem nunca sair de sua aldeia natal ouve as histórias e as experiências dos viajantes e, enquanto trabalha ou caminha, reelabora o que ouviu, subtrai, acrescenta, enxerta cores, sons, vocábulos e expressões locais e assim cria uma nova história.

O narrador sedentário reinventa formas e significados, poesia e símbolos; enxerga os ossos do que é narrado, dissecando músculos, gorduras e pele e construindo um novo corpo narrativo.

Jean-Claude Carrière, no prefácio de O Círculo dos Mentirosos, contos filosóficos do mundo inteiro, faz uma curiosa observação sobre os narradores judeus, para quem o ato de narrar é tão importante quanto a própria história. Segundo ele, “a tradição judaica pressupõe muitas vezes a existência por trás das palavras, da ordem das palavras e do próprio lugar que ocupam as letras, de uma espécie de estrutura secreta, uma mensagem colocada ali por não se sabe quem, um outro significado, o verdadeiro, como se a aparência do conto não passasse de uma máscara”.
É importante lembrar que a psicanálise fundada por um judeu, Sigmund Freud, buscou nos mitos seus significados mais secretos. Freud analisou histórias em que as civilizações se narram. Da análise dessas histórias coletivas, como a do rei Édipo, que foi reescrita por Sófocles, ele parte para a experiência da análise individual, um método em que a pessoa se narra sozinha, buscando verdades e significados que transcendem o aparente.

A importância dessas histórias que acompanham o homem desde que ele conseguiu juntar palavras em frases e frases em narrativas mais longas é narrá-lo tanto coletivamente como individualmente. No mesmo prefácio do Círculo de Mentirosos Jean- Claude Carrière relata que perguntou certa vez ao neurologista Oliver Sacks o que, a seu ver, era um homem normal. Depois de hesitar um pouco o neurologista respondeu “que um homem normal talvez fosse aquele capaz de contar a sua própria história”. E acrescenta que esse homem narrador “sabe de onde vem (tem uma origem, um passado, uma memória em ordem), sabe onde está (sua identidade) e acredita saber aonde vai (ele tem projetos e a morte no fim). Portanto, ele se situa no movimento de um relato, ele é uma história e ele pode se narrar. Caso esta relação indivíduo-história venha a se romper, por qualquer razão fisiológica ou mental, eis aí o relato partido, a história perdida, a pessoa projetada para fora do tempo. Ela não sabe mais nada, nem o que ela é, nem o que deve fazer. Ela se agarra a algumas aparências da existência. O indivíduo, aos olhos do médico, surge à deriva: “Ainda que seus mecanismos corporais funcionem, ele se perde no meio do caminho, não existe mais”.

Muito cedo me dediquei à investigação das narrativas de tradição oral e a uma coleta não sistemática de histórias, preocupado em construir uma escrita pessoal. Mais tarde, com alguns livros de ficção publicados e vários espetáculos teatrais encenados, passei a conviver com alunos de escolas públicas e particulares e a observar as dificuldades que eles tinham para desenvolver uma leitura, uma fala e uma escrita. Sobretudo nas escolas públicas, com crianças e jovens das populações chamadas de risco, esse travamento era mais evidente. A maior parte deles era incapaz de compreender e interpretar o que lia, quando sabia ler, e, o mais grave, não conseguia elaborar fios narrativos. Como médico clínico de serviços de psiquiatria para crianças e adolescentes, sei que a incoerência e fragmentação do discurso ou fala se justificam por doenças como esquizofrenia ou demência. Mas, entre jovens considerados normais, o que poderia causar essa dificuldade? Por que avançamos tão pouco na educação, mesmo quando anunciam progressos econômicos, com um aumento do consumo e do poder de compra?

Apropriando-se de contos que pertencem a todos, os jovens sem individualidade-história podem ser ajudados a se inventarem, a criar a própria história. Como é possível que alguém não consiga narrar-se, alegando que não possui uma história? O patrimônio de narrativas acumulado em milhares de anos é nossa história, ele pode ser sacado a qualquer momento, como um mágico saca um coelho de dentro de uma cartola. Somos um país predominantemente oral. No Brasil, uma das maneiras mais usuais de transmissão do conhecimento ainda é a fala, como se tivéssemos uma natural desconfiança da escrita, como se ela não se bastasse por si mesma e necessitasse do reforço da oralidade. Se analisarmos a maneira como o acervo de contos de tradição oral serviu de arcabouço para a literatura de povos de várias partes do planeta, talvez cheguemos a um método educativo que nos ajude a reverter os problemas de aprendizado da leitura e da escrita.
 
 

*Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor

Fonte: Blog do autor

 

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