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Festa na Orla de Ponta Verde tem aglomeração e organizador rebate: "não quer pegar o vírus? Fica em casa"

  • Redação 
  • 01/09/2020 07:04
  • Maceió
Fonte: Cadaminuto.com.br

Os vídeos de uma festa na Orla de Ponta Verde, neste domingo (31), chamaram atenção nas redes sociais sobre a aglomeração de pessoas e também o descumprimento das medidas de prevenção ao novo coronavírus.

As imagens, publicadas nos perfis de algumas pessoas que participaram, mostram bem como foi a organização a realização do evento. 

Quando o assunto ganhou repercussão nas redes sociais, os organizadores do evento publicaram algumas mensagens. “Não quer pegar o vírus? Fica em casa. Não sai para o shopping, festas, bares e etc. E deixa quem não quer se cuidar aprender uma lição e tomar consciência”, diz uma das mensagens. 

A festa durou toda madrugada e não foi interrompida por nenhuma ação de fiscalização. A imagens provocaram uma discussão sobre as medidas de prevenção da doença e comportamento das pessoas no local. 

Terremoto de 4,6 de magnitude é registrado na Bahia

Cidades do Vale do Jiquiriçá e do Recôncavo Baiano sentiram tremor mais forte na manhã deste domingo (30), mas moradores de Salvador também têm relatos. Não há registro de feridos.

↑ (Imagem: Reprodução)

Um terremoto de magnitude 4,6 foi registrado na Bahia, na região da cidade de Mutuípe, que fica no Vale do Jiquiriçá, na manhã deste domingo (30), segundo cálculos do Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Moradores de várias cidades do estado, como Amargosa, Castro Alves, São Miguel das Matas e Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, relataram o impacto do terremoto. Em Salvador, os tremores também foram sentidos. Não há registro de feridos.

O G1 entrou em contato com Aderson Nascimento, coordenador do Laboratório de Sismologia da UFRN, que faz o monitoramento dos fenômenos. Ele explicou que esse terremoto teve alta magnitude e também pôde ser sentido em Salvador.

“A gente fez uma análise preliminar e esse evento maior foi registrado pela rede mundial, foi de magnitude 4,6, a 6 km a sul para sudoeste de Mutuípe. Salvador fica a pouco menos de 100 km de Mutuípe e, com essa magnitude, ele certamente foi sentido em Salvador. Ele foi registrado em todas as estações da rede sismográfica brasileira, que a gente tem financiada pelo Serviço Geológico Brasileiro”, detalhou Aderson.

Ainda não há detalhes do que causou os tremores. No site do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), constam dois registros de terremotos nas regiões de Amargosa e São Miguel das Matas, com magnitudes de 4,2 e 3,7 respectivamente.

Os relatos dos moradores indicam que o primeiro tremor, o mais forte, começou pouco antes das 8h e durou cerca de 20 segundos. Depois, uma nova trepidação, desta vez mais branda, por volta das 8h20. Veja depoimentos abaixo:

Amargosa – Daniele Andrade

“Eu estava dormindo e de repente eu comecei a sentir o tremor. Eu acordei assustada e imediatamente peguei minha filha e fiquei embaixo da mesa. Durou uns 14 a 20 segundos, foi curto mais parecia uma eternidade. Eu nunca tinha passado por isso. Já ouvi relatos de tremores de terra aqui em Amargosa, mas é a primeira vez que eu sinto. Agora a gente está em alerta”.

Castro Alves – Leandro Alves

“Foi um abalo forte, nunca teve um impacto desse aqui na cidade. Eu estava me arrumando para ir para o trabalho, e aí eu fui surpreendido quando saí do banheiro. Minha mãe pensou que foi a laje aqui de casa caindo. Quando a gente foi se deparar, era a terra tremendo. Não tinha ninguém na rua. Foi um susto muito grande. Aqui também tremeu duas vezes”.

Mutuípe – Valdir Dika

“Estávamos dormindo, aí a gente acordou com um barulho ensurdecedor, a terra tremendo, vidraça chacoalhando. Foi como se tivesse um caminhão ligado em cima do telhado. Depois passou e voltou a tremer de novo. Foi uma coisa sinistra. Nossa reação foi só abraçar nossa filha. É uma sensação incrível, de que tudo ia desabar. Sensação de pânico mesmo, pessoas gritando na rua. Eu já tinha presenciado outros tremores aqui, mas igual a esse não”.

Santo Antônio de Jesus – Sâmila Freitas

“Eu tinha acabado de acordar, porque meu filho chorou e eu fui olhar ele. Quando peguei ele no colo, senti a terra tremer e um estrondo. Eu nunca tinha visto isso aqui. Foi forte, parecia alguma coisa batendo muito alto”.

Salvador – Adriana Vigas

“Eu sou [do bairro] de Narandiba. Também senti o tremor. De início, eu pensei que era algum carro passando na rua, alguma coisa assim mais forte. Depois que eu percebi que era o chão tremendo mesmo. Foi uma coisa que não dá para explicar, fiquei com medo da casa cair”.

Outros tremores na Bahia

Há cerca de 10 dias, moradores de Cachoeira, que também fica no recôncavo baiano, também relataram tremores de terra. O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) informou que o fenômeno ocorreu na cidade de São Félix, vizinha a Cachoeira, e teve magnitude de 1.6 mR.

No mês de julho, um terremoto de 3,5 de magnitude foi registrado na região do litoral sul da Bahia. O tremor aconteceu na altura da cidade de Ilhéus e também foi registrado por sismólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que fazem o monitoramento.

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Fonte: G1

 
 
 
Sábado, 29 Agosto 2020 19:02

Greve nos Correios afeta entregas em Alagoas

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Greve nos Correios afeta entregas em Alagoas

80% dos carteiros cruzaram os braços, além dos atendentes e operadores de triagem; 20 milhões de correspondências estão acumuladas

↑ Greve dos trabalhadores dos Correios teve início no dia 17 e, segundo o presidente do Sintect/AL, teve adesão da maioria dos carteiros (Foto: Ascom Sintect/AL)

Aproximadamente 20 milhões de correspondências, como boletos, encomendas, cartões, entre outros, deixaram de ser entregues em decorrência da paralisação dos trabalhadores dos Correios em Alagoas, que teve início no dia 17 último. A estimativa de acúmulo destes 11 dias de paralisação é do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos em Alagoas (Sintect/AL).

O movimento paredista dos Correios conta com a maior participação dos funcionários da área operacional da empresa, principalmente dos carteiros. Segundo o sindicato, 80% dos carteiros aderiram à greve, além dos atendentes e operadores de triagem. “517 carteiros estão parados e apenas 54 estão em atividade”, disse o presidente do Sintect/AL, Alisson Guerreiro.

“Alguns gerentes de agências aderiram à greve e estas estão fechadas. Já os funcionários do setor administrativo são poucos que paralisaram suas atividades”, observou o representante sindical.

Ele informou ainda que houve uma reunião na quinta-feira (27), no Tribunal Superior do Trabalho (TST) na tentativa de uma reconciliação pela manutenção do acordo coletivo dos trabalhadores até o ano que vem.

“Aprovamos a proposta, mas infelizmente os dirigentes da empresa rejeitaram. A empresa entrou com o pedido de dissídio coletivo no TST, e por conta disso, agora irá para julgamento e iremos aguardar em greve”, avisou Guerreiro.

Uma assembleia realizada nessa sexta-feira (28) com a categoria optou pela permanência da greve em Alagoas. E também ontem, os trabalhadores promoveram um dia de doação de sangue e estiveram no Hemocentro de Alagoas (Hemoal) para contribuir com a sociedade num ato solidário que salva vidas, cuja campanha foi denominada de “Sangue Bom”.

REIVINDICAÇÕES

Os grevistas cobram a manutenção do acordo coletivo firmado no ano passado, são contra a privatização da estatal, reclamam de negligência da empresa com a saúde dos trabalhadores na pandemia e pedem que direitos trabalhistas sejam garantidos. A paralisação é por tempo indeterminado.

Empresa aguarda retorno de parte dos trabalhadores no estado

Os Correios informaram que, de acordo com sistema de monitoramento da empresa, a adesão ao movimento paredista é baixa e que aguardam o retorno de parte dos trabalhadores que aderiram à paralisação parcial o quanto antes.

A empresa disse ainda que, desde o início da negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2021, tem sido transparente sobre a sua situação econômico-financeira, agravada pela crise mundial causada pela pandemia de Covid-19. “Conforme já amplamente divulgado, a empresa não tem mais como suportar as altas despesas, o que significa, dentre outras ações que já estão em andamento, discutir benefícios que foram concedidos em outros momentos e que não condizem com a realidade atual de mercado, assegurando todos os direitos dos empregados previstos na legislação. A paralisação parcial em curso somente agrava esta situação”, diz os Correios.

“A intransigência das entidades representativas está prejudicando não só o funcionamento da empresa, mas, essencialmente, a população brasileira. A empresa aguarda o julgamento do Dissídio de Greve pelo Tribunal Superior do Trabalho para por fim ao impasse. Vale ressaltar que os Correios têm preservado empregos, salários e todos os direitos previstos na CLT, bem como outros benefícios do seu efetivo”, diz ainda a empresa.

Os Correios ressaltaram que permanecem servindo à população e trabalhando para minimizar os efeitos da paralisação parcial dos empregados. “Neste fim de semana, a empresa dará continuidade aos mutirões de entregas, medida que faz parte do plano de contingência da empresa que visa minimizar os impactos. Outras ações como apoio dos empregados da área administrativa, que vão auxiliar na operação, e o remanejamento de veículos estão sendo adotadas.”

A empresa destaca que a iniciativa demonstra o compromisso dos Correios com a qualidade operacional e com os clientes, “neste momento em que os serviços da estatal são ainda mais essenciais aos brasileiros. As agências estão abertas com a oferta de serviços e produtos, inclusive o Sedex e o PAC, que continuam sendo postados e entregues. A empresa informa ainda que permanecem temporariamente suspensos os serviços com hora marcada, medida em vigor desde o anúncio da pandemia.”

PAGAMENTOS

Referente a cobranças, as empresas que optam pelo serviço de correspondência postal são obrigadas pela lei a oferecer outra forma de pagamento: internet, sede da empresa, depósito bancário, entre outras. O Procon lembra também que o recebimento em atraso não exime nem posterga o pagamento, porque o consumidor sabe que as contas dele vencem no dia x, y ou z.

Por isso, o consumidor precisa procurar a empresa que emite a fatura para que envie por outros meios como WhatsApp, e-mail e etc. Se a empresa não fornecer, a orientação é procurar algum órgão de defesa do consumidor, como o Procon ou o consumidor.gov.br, informando que tentou e não conseguiu. Uma fatura, boleto bancário ou qualquer outra cobrança só pode ser contestado em atraso se o consumidor não souber do dividendo.

Para os clientes que fizeram compras online e estão esperando a entrega de seus produtos, o Procon orienta que, caso haja dano moral ou material causado pela falta de serviço, o consumidor pode pedir o ressarcimento ou abatimento do valor, além de pedir indenização à Justiça.

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Fonte: Tribuna Independente / Texto: Ana Paula Omena

Quarta, 19 Agosto 2020 21:17

Passe livre para os desempregados, já!

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Passe livre para os desempregados, já!

 

Cidade precisa garantir o passe livre para o desempregado e amenizar a limitação discriminatória na busca do emprego

 

No início do ano, antes de a pandemia da Covid-19 se alastrar vertiginosamente no Brasil, um estudo do Ipea, intitulado “Desigualdades de Acesso a Oportunidades nas Cidades Brasileiras”, revelou São Paulo como a cidade mais desigual no acesso a emprego.

Imagine agora! Os mais pobres vivem em bairros distantes das principais regiões de emprego, tendo de se deslocar mais em busca de um posto de trabalho. Muitos fazem isto a pé, muitos mesmo, pois, desempregados, não têm condições de arcar com os custos de transporte.

Daí a importância de a cidade garantir o passe livre para o desempregado no transporte público e amenizar a limitação discriminatória na busca do emprego.

Em São Paulo, este direito ao passe livre para o desempregado existe há anos, em lei aprovada pela Câmara de Vereadores e sancionada pela Prefeitura em junho de 1990. Por que cargas d’água não regulamentam de vez esta lei?

Aqui abro parênteses para saudar o companheiro Vital Nolasco, ex-diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e autor como vereador pelo PCdoB do Projeto de Lei nº 106/1989 – que deu origem à Lei 10.854/1990, a Lei do Passe Livre ao Desempregado.

Obrigado, Vital Nolasco! Vamos em razão da urgência do tema, mas também em respeito à sua trajetória política, sindical, social e trabalhista, articular uma grande ação concreta para tirar a lei do papel.

Este passe livre pode ser muito bem administrado por nossas entidades sindicais, idôneas, representativas e atuantes, na organização, cadastramento e articulação junto aos trabalhadores desempregados das mais diversas categorias profissionais. É uma das medidas imediatas para aliviar o problema de mobilidade urbana para milhões de pessoas em busca do emprego na capital paulista.

O ideal é conquistar isto já. Mas se não for possível neste ano, pretendemos por intermédio de nossa futura bancada trabalhista na Câmara Municipal, em 2021, com várias categorias unidas, ter mais força nesta luta.

Reconquistar este direito, colocando-o definitivamente em prática, terá um amplo alcance social, trará novas esperanças e evitará que as pessoas fiquem desalentadas ou mais propensas ao risco social.

Moradores de rua protestam contra situação vivida durante a pandemia

 

Com a crise, população de rua não para de crescer em Belo Horizonte em meio a situações de precariedade

 

Fotos Bruno alves

Aloísio Morais

Para denunciar as precárias condições que tem enfrentado em meio à pandemia de covid-19, moradores em situação de rua de Belo Horizonte e Região Metropolitana realizaram hoje uma manifestação no centro da cidade. Entre as suas bandeiras de luta estão a reforma urbana, a não violência contra as mulheres e contra o atendimento precário dos governos. Eles se concentraram sob o Viaduto Santa Tereza e depois seguiram até a prefeitura, no centro da cidade.

De acordo com um levantamento do serviço social da prefeitura, a capital mineira conta com quase 5 mil moradores de rua, sendo 88% do sexo masculino e 12% de mulheres. Mas Cadastro Único – CAD do Ministério da Cidadania, que identifica pessoas em extrema pobreza para direcionar políticas públicas de acolhimento e atendimento, indica que são 9.164 pessoas vivendo nas ruas de Belo Horizonte, boa parte delas vindas do interior ou de outros estados. Dentre elas, 84% são beneficiárias do Programa Bolsa-Família.

Organizados, moradores de rua se concentraram sob o Viaduto Santa Tereza

Barracas

Nos últimos meses, mais de mil barracas foram distribuídas aos moradores de rua da cidade pela Frente Humanitária do Canto da Rua Emergencial, movimento solidário organizado pela Pastoral da Rua da Arquidiocese de Belo Horizonte que reúne várias entidades. Os abrigos fazem parte de um “kit inverno”, composto também por mantas de cobertura, meias, agasalhos e saco de dormir.


As barracas foram adquiridas por um instituto privado parceiro, que ofereceu o aporte financeiro para os kits e para outras ações promovidas pelos mais de 200 colaboradores. As equipes de apoio realizaram um cadastro, identificaram as necessidades de cada um e depois distribuíram as doações. Outras 120 pessoas, idosas ou com comorbidades, foram encaminhadas a três centros de acolhimento montados pela Frente.

Claudenice Rodrigues Lopes, assistente social e voluntária da Pastoral de Rua da Arquidiocese, declarou ao repórter Elian Guimarães, do jornal Estado de Minas, que ultimamente o número de moradores de rua cresceu devido também aos casos de pessoas liberadas do sistema prisional por causa da pandemia. “É significativo o número de pessoas vindas do sistema que nos procuram, algumas em busca de passagens. Grande parte é do interior, não tem recursos para voltar pra casa e não tem para onde ir. Então, ficam por aí”.

Segundo Claudenice, a diminuição do fluxo de pessoas circulando pelo Centro da cidade deu visibilidade a elas. “Antes eram invisíveis, que passavam despercebidas pelos cantos, diante do grande movimento”, observou.


Perfil das pessoas em situação de rua

Gênero
Masculino 88%
Feminino 12%

Idade
0 a 17 0,7%
18 a 24 7,1%
25 a 34 22,2%
35 a 39 16,5%
40 a 44 15,6%
45 a 49 12,1%
50 a 54 10,8%
55 a 59 7,4%
+60 7,1%

Raça/cor
Parda 60,6%
Preta 23%
Branca 15,7%
Amarela 0,5%
Indígena 0,1%
Não informado 0,1%

Renda familiar per capita
Até R$ 89 90,84%
Entre R$ 89,01 e R$ 178 0,99%
Entre R$ 178,1 e meio salário mínimo 1,9%
Acima de meio salário mínimo 6,28%

Grau de instrução
Sem instrução 7,3%
Fundamental incompleto 52,3%
Fundamental completo 14,3%
Médio incompleto 10%
Médio completo 14,3%
Superior incompleto ou mais 1,2%
Não informado 0,6%

Motivos para estar nas ruas (principais)
Problemas familiares 56%
Desemprego 41,5%
Perda de moradia 30%
Alcoolismo 19,3%

Outros
33% dizem usar abrigos para dormitório
84% são beneficiários do Programa Bolsa-Família

Fonte: Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania

 

Em Alagoas, número de beneficiários do Bolsa Família ultrapassa o de empregados com carteira

  • Lula Vilar
  • 19/08/2020 09:45
  • Blog do Vilar
Credito: Divulgação
Bolsa Família

Segundo dos dados oficiais do próprio governo federal em relação ao Bolsa Família, o Estado de Alagoas é uma das 10 unidades da federação em que o número de beneficiários pelo programa ultrapassa o de trabalhadores com carteira assassinada.

Esse é mais um dos dados que mostra a dificuldade que Alagoas tem para a geração de emprego e renda. Um desafio que se associa ao período de pós-pandemia, quando muitos dos auxílios recebidos por parte do governo federal devem chegar ao fim.

Como já mostrei nesse blog, o período pós-pandemia é uma preocupação do próprio secretário da Fazenda, George Santoro. O titular da pasta explicou que dois fatores foram de extrema importância para que Alagoas atravessasse o período mais crítico da pandemia do novo coronavírus sem colapsar as contas públicas ou assistir a um caos social por conta de desemprego e falência.

O primeiro fator foi o ajuste fiscal promovido pelo governo Renan Filho (MDB) antes mesmo da pandemia iniciar, pois ajudou na arrecadação. O outro foi a ajuda oriunda do governo federal, como as recomposições de receita e o auxílio emergencial.

Em entrevista ao Direto da Província, o economista Cícero Péricles até pontuou que essas ajudas criaram um “colchão” que manteve a economia aquecida por meio do consumo de bens e serviços.

Houve falências e perdas de postos de trabalho, mas o dano foi reduzido e, já nos meses de início de reabertura econômica, surgiram os dados positivos.

Porém, tais dados ainda são impulsionados pelos recursos federais, em especial o auxílio emergencial que passou a corresponder a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) de Alagoas. Que o Estado sempre foi dependente do governo federal não é novidade. É histórico. A dificuldade – segundo Santoro – será manter esse ritmo quando os auxílios recuarem.

Uma das estratégias é usar de benefícios fiscais para atrair investimentos, como foi feito recentemente pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico em relação a 15 novos empreendimentos, que podem gerar mais de 4 mil empregos diretos e indiretos. Dois desses empreendimentos serão voltados a área do Turismo. Todavia, Alagoas ainda está longe da diversificação econômica, da liberdade econômica e de abrir portas para mais oportunidades de empreender.

Criar um bom ambiente de negócios que seja competitivo não é tarefa fácil. Isso reflete ainda mais na dependência de programas federais como o Bolsa Família para que muitos possam sobreviver. Segundo o levantamento, em Alagoas são mais de 406 mil beneficiários do programa e 325 mil empregados com carteira assassinada. Isso se dá em um universo de aproximadamente 3,1 milhões de habitantes, conforme os dados do IBGE.

Quando comparada a relação entre beneficiários e trabalhadores com carteira assassinada, Alagoas é o sétimo no país. Todos os estados brasileiros em que essa superação ocorre estão situados na região Norte e Nordeste. O número de empregos formais só supera o número de beneficiários, no Nordeste, nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Na região Norte, os que possuem mais empregados com carteira assinada são Tocantins, Rondônia e Roraima.

O estado com mais beneficiários do Bolsa Família superando o número de empregos formais é a Bahia. Por lá, o número de empregados com carteira assinada ultrapassa 1,6 milhão. Porém, são 1,8 milhões de pessoas que recebem o programa federal. Na segunda colocação está o Pará, com 966 mil beneficiários contra 729 mil trabalhadores com carteira assassinada. Os demais estados são Maranhão, Paraíba, Piauí, Amazonas, Sergipe, Acre e Amapá.

Sem rádio e tevê, partidos apostam nas redes sociais

Legendas que não cumpriram cláusula de barreira ficarão de fora do horário eleitoral nas próximas eleições

↑ Para Adeílson Bezerra, perda de espaço em TV e rádio não é considerada determinante para o partido (Foto: Sandro Lima/arquivo)

Com a aprovação da PEC 97/2017, conhecida como reforma política, 11 partidos ficarão sem tempo no rádio e na tevê por não terem cumprido as metas da cláusula de barreiras. Estas legendas não obtiveram 1,5% dos votos nacionais em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada uma delas ou eleger 9 deputados federais em 9 estados diferentes. A alternativa, ao menos para os partidos que falaram à Tribuna, será o uso das redes sociais.

Lindinaldo Freitas, presidente do PCdoB em Alagoas, que tem candidatura própria à Prefeitura de Maceió, ressalta que o partido já busca as redes sociais como alternativa para apresentar suas candidaturas.

“Estamos fazendo isso [redes sociais]. O PCdoB tem buscado um projeto mais ousado em Alagoas, está lançando uma candidatura própria para Prefeitura de Maceió, o Cícero Filho, bem como uma chapa completa de vereadores. Temos procurado intensificar o trabalho por meio das redes sociais, especialmente nessa época de pandemia que limita o contato presencial”, diz Lindinaldo Freitas.

Para o dirigente comunista, a cláusula de barreira tem o objetivo de extinguir partidos no país.

“A cláusula de barreira tem por objetivo reduzir o número de partidos, por isso ela mira no financiamento e no tempo de TV e rádio. Essa foi uma opção equivocada de reforma política porque ela parte do pressuposto que o problema do sistema político é o grande número de partidos. Em nossa opinião, o problema não está na quantidade de partidos, até porque somos um país continental com diferentes formas de pensar e visões de mundo, o problema reside na ausência de substância política de boa parte desses partidos, na redução dos partidos a meros mecanismos para disputa eleitoral”, afirma Lindinaldo Freitas.

Mesmo sendo o partido do vice-presidente da República Hamilton Mourão, o PRTB também ficará sem tempo no rádio e na tevê. Mas, para Adeílson Bezerra, presidente estadual da legenda em Alagoas, ao menos para a disputa a uma cadeira na Câmara Municipal, a perda dessas mídias não é determinante.

“Nós vamos nos utilizar das redes sociais e o guia eleitoral nunca foi definidor para eleições proporcionais. Esta será uma eleição completamente atípica pelo fado da pandemia, onde o corpo a corpo fica um pouco prejudicado. Estamos orientando os nossos pré-candidatos a se utilizarem das redes sociais para se tornarem conhecidos”, diz o líder do PRTB alagoano.

Os partidos que não cumpriram a cláusula de barreira em 2018, além do PCdoB e do PRTB, foram: PCO, PSTU, PCB, PMB, DC, Rede, PTC, PMN, PRP e PPL, que se fundiu ao PCdoB em 2019.

ATUALIZAÇÃO

A incorporação do PPL ao PCdoB garantiu ao partido a superação da cláusula de barreira. Portanto, ao contrário do que aponta a reportagem, os comunistas terão direito ao tempo de rádio e tevê nestas eleições.

Para advogados, PEC buscou melhorar sistema político

 

Tanto para Marcelo Brabo quanto Gustavo Ferreira, advogados especialistas em Direito Eleitoral, as últimas mudanças na legislação visam aperfeiçoar o sistema político.

“A finalidade maior da PEC 97/2017 foi fortalecer os partidos políticos, criando condicionantes para que eles possam participar do fundo eleitoral, como da propaganda no rádio e na TV. Como sabido por todos, vivemos o multipartidarismo, e, muitas das legendas, se tornam legendas de aluguel, sem programa e ideário. Com as referidas exigências e condicionantes, se permite a criação de uma linha nacional que expresse à construção programática e bem definida”, diz Marcelo Brabo. “A cláusula de desempenho foi defendida com a justificativa de se garantir um maior controle político-partidário baseado na legitimidade e na representatividade popular, buscando fortalecer cada vez mais a democracia, coibindo a criação de profissionais das eleições, que acabam deturpando a finalidade de uso dos recursos públicos”, completa.

Já Gustavo Ferreira, pondera que o problema não é, necessariamente, a quantidade de partidos, mas quantos deles conseguem eleger parlamentares no Congresso Nacional.

“Na verdade, [a PEC] tentou tornar o sistema partidário, mais racional. O problema no Brasil não é de número de partidos, que é similar à Alemanha, por exemplo, mas o número de legendas com representação no parlamento nacional, uma vez que temos mais que o dobro do 2° colocado, o que dificulta a organização política do país”, argumenta Gustavo Ferreira.

Marcelo Brabo e Gustavo Ferreira (Fotos: Sandro Lima/arquivo)

Uma cláusula de barreira já existiu no Brasil e foi derrubada no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2006 sob a alegação de inconstitucionalidade por ferir o princípio da isonomia.

Marcelo Brabo ressalta que medidas legais como esta não são novidade, nem no Brasil nem em outros países. Segundo ele, Alemanha, Grécia, França, Espanha, Itália e Suécia também possuem cláusulas de barreira. E, mesmo não acreditando que a lei atual é inconstitucional, ele pondera que o STF pode vir a ter o mesmo entendimento de 2006, apesar de não acreditar nisso.

“Hoje os tempos são outros, inclusive sendo os conceitos de moralidade e probidade muito mais fortes e preponderantes do que no passado; porque é imprescindível tentar fortalecer os partidos políticos, se criar linhas idearias e programáticas bem definidas, além de se tratar sobre o uso do tempo nos programas eleitorais na TV e Rádio e dos recursos destinados a isso; porque os atuais membros do STF, pelo que se deduz de pronunciamentos isolados, pensam de maneira diferente que no passado; e por último porque a cláusula de desempenho foi feita de maneira escalonada no tempo, para se adaptassem”, afirma Marcelo Brabo.

Já Gustavo Ferreira, assim como o colega, não enxerga inconstitucionalidade na atual cláusula de barreira.

“A isonomia está no acesso em poder disputar o processo eletivo, a quantidade maior de voto garante acesso a mais recursos públicos. Alemanha tem um critério mais rigoroso que o nosso e ninguém considera inconstitucional”, comenta. “A atual cláusula de barreira foi fixada constitucionalmente, tendo sido este um dos motivos da declaração de inconstitucionalidade da prevista na Lei dos Partidos políticos (Lei 9.096/1995)”, completa Gustavo Ferreira.

ADI

Há no STF uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), número 6063, impetrada pelo PRTB, que questiona a atual cláusula de barreira, cuja relatoria está com o minsitro Celso de Mello.

Segundo o site do STF, o PRTB questiona o fato de a lei considerar os congressistas de forma desigual, uma vez que se considera apenas os votos para a Câmara dos Deputados e não os para o Senado.

“Ainda que esses parlamentares participem de eleições majoritárias, ressalta a legenda, eles também são beneficiados dentro dos partidos políticos pelo fundo partidário, verba oriunda do orçamento público da União. Para o PRTB, a emenda ofende cláusula pétrea referente ao voto direto, secreto, universal e periódico, além de desrespeitar os princípios constitucionais da isonomia e do direito adquirido”, diz o site do STF.

 

Greve dos Correios deve parar 70% da categoria em Alagoas

Trabalhadores paralisaram atividades para cobrar cumprimento de acordo coletivo

↑ Correios (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Cerca de 70% dos trabalhadores dos Correios em Alagoas deflagraram greve ontem (18). A categoria afirma que a direção da empresa descumpriu acordo coletivo firmado ano passado e cobra o cumprimento das cláusulas. A empresa contesta e afirma que 83% do efetivo em todo o país segue as atividades normalmente.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios em Alagoas (Sintect-AL), Alysson Guerreiro, diz que a empresa retirou 3% de aumento definido no ano passado após negociação judicial.

“A greve começou hoje [terça-feira, 18] e a nossa avaliação é de que tenhamos de 60 a 70% de trabalhadores parados. Em virtude da empresa tirar nosso acordo coletivo, firmado no ano passado pelo TST, um acordo que a gente teve um aumento de 3% ano passado, este ano não haveria aumento algum, porém o acordo seria mantido. Desde o dia 1º de abril que a empresa retirou as cláusulas do acordo coletivo e a única saída para os trabalhadores dos Correios foi paralisar”, defende.

Em nota enviada à imprensa, a empresa esclareceu que a paralisação é “parcial” e que não deve  impactar nos serviços prestados à população.

“A paralisação parcial dos empregados dos Correios, iniciada pelas representações sindicais da categoria, não afeta os serviços de atendimento da estatal. Levantamento parcial, realizado na manhã de terça-feira (18), mostra que 83% do efetivo total dos Correios no Brasil está trabalhando regularmente. A empresa já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas”, afirma os Correios.

Ainda segundo a Empresa Brasileira de Correios, as mudanças foram uma adequação “ao modelo de mercado” e foi adotada para preservar a sustentabilidade econômica.

“Conforme amplamente divulgado, a diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida. Diversas comunicações inverídicas e descontextualizadas foram veiculadas, com o intuito apenas de provocar confusão nos empregados acerca dos termos da proposta. À empresa, coube trazer as reais informações ao seu efetivo: nenhum direito foi retirado, apenas foram adequados os benefícios que extrapolavam a CLT e outras legislações, de modo a alinhar a estatal ao que é praticado no mercado”, informa a empresa.

O representante dos trabalhadores afirma que durante a pandemia o volume de entregas cresceu consideravelmente, aumentando a carga de trabalho. Mesmo assim, a empresa estaria se negando a negociar.

“Os Correios não querem negociar. É bom deixar claro que a gente não está pedindo aumento nenhum, estamos pedindo apenas que se cumpra o que foi definido no TST. A partir do momento que a empresa reavaliar essa questão a gente volta às atividades normais. Está claro que o trabalhador vem atuando sobrecarregado, já estava antes da pandemia, e com a pandemia ainda mais. A demanda subiu em torno de 30%”.

 

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Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

Precariedade trabalhista da enfermagem explica mais mortes no Brasil

Belem PA 08 2020 A aluna de enfermagem, Fernanda Gatinho, no bairro da Terra Firme, durante Pesquisa Epidemiológica da Covid 19, realizada pela Uepa e Sespa, em Belém e Ananindeua.FOTO: NAILANA THIELY/ ASCOM UEPA

Demandas históricas da categoria se acentuaram na pandemia, ao mesmo tempo que expuseram o descaso do governo com profissionais da linha de frente do combate à pandemia.

Cezar Xavier

Em entrevista ao portal Vermelho, Walkírio Costa Almeida, coordenador do Comitê Gestor de Crise da Covid-19 do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), explicou os motivos desta disparidade brasileira em relação a países como os EUA, que têm a maior taxa de contágio do mundo, superando o Brasil, mas não perdeu tantos profissionais de enfermagem.

Segundo ele, o Brasil não está protegendo adequadamente os profissionais de saúde de modo geral, em especial os profissionais de enfermagem. Os aspectos que afetam o número de mortos, conforme ele pontua, incluem os meios de proteção, o preparo técnico dos profissionais para lidar com essa nova doença e o contexto característico da enfermagem brasileira. “Não são problemas novos, mas a pandemia evidenciou os problemas enfrentados há tanto tempo”, resumiu ele. A falta de equipamento e não inserção no dia-a-dia dos equipamentos de proteção individual não surgiu agora com a demanda mundial, mas, informa ele, é um problema de sempre. “Os profissionais de saúde precisam de um nível de proteção mais elevado que lhes dê melhores condições de não se infectarem e serem vetores de infecção”.

Profissões de enfermagem não têm jornada de trabalho definida em lei, o que faz com que tenham a mesma jornada de uma profissão comum, sem insalubridades e especificidades sanitárias.

Dentre os trabalhadores da saúde, o menor piso salarial é dos profissionais de enfermagem. “Sessenta por cento dos trabalhadores ganham no máximo R$ 3 mil, a partir de duplos ou triplos vínculos de emprego, revezando entre plantões de hospitais diferentes. Muitos dormem poucas noites em casa, passando grande parte do tempo nesses hospitais. São pessoas que moram nos empregos e visitam suas casas. Têm o sistema imunológico afetado com enorme tempo de exposição a todo tipo de doenças e infecções”, relata Almeida.

Embora houvesse protocolos previstos para uma situação de pandemia, muitas instituições não prepararam seus profissionais para lidar com a nova doença. Com isso, eles tiveram que aprender enquanto recebiam os pacientes. “Não houve fornecimento de equipamentos de proteção adequado para esse tipo de epidemia, com muita improvisação”, conta, lembrando as capas de chuva usadas como capotes.

Mas, o conselheiro considera possível barrar esse ritmo de crescimento de profissionais infectados, protegendo-os e preparando-os melhor. “É preciso dar suporte social de jornada, de remuneração e equipamentos de proteção, como outros do dia-a-dia que são sucateados, adequar o número de profissionais à demanda. O quantitativo de profissionais é insuficiente para a demanda, com muita sobrecarga de trabalho”, disse ele. Tanto que, durante a pandemia, houve um crescimento de 40% nos pedidos de registro de profissionais nos Conselhos de Enfermagem. Gente capacitada que não estava atuando por falta de mercado de trabalho.

Morrem mais enfermeiros que enfermeiras

Os dados mencionados no início são do Observatório da Enfermagem, organizado pelo Conselho Federal de Enfermagem, devido à dificuldade de reunir estatísticas com os governos federal e locais. Foi criada uma notificação eletrônica que gestores de enfermagem de hospitais de todo o país acessam e informam diariamente os contágios, afastamentos, retornos e mortes.

A experiência do Observatório chamou a atenção de outras organizações e imprensa de vários países do mundo, assim como deve continuar funcionando para além da pandemia. “O Observatório não apenas aproximou o Cofen dos profissionais, como também nunca se falou tanto de enfermagem na sociedade como nestes últimos meses”, comemora ele.

Um dos dados inesperados do Observatório da Enfermagem foi a proporção de homens que morreram por Covid-19. Embora os homens sejam apenas 15% do total de profissionais de enfermagem, eles são 37% dos óbitos. Ou seja, embora haja muito mais mulheres na categoria (85%), assim como a proporção de 85% das infecções também seja em pessoas do sexo feminino, os homens são mais vulneráveis à versão mais letal da doença.

Oportunidade perdida pelo governo

Almeida também mencionou as denúncias de hostilidade contra enfermeiros e outros profissionais de saúde feitas ao Cofen. “Enfermeiros que chegaram a sofrer agressão física, outros que foram verbalmente agredidos em estações de metrô e pontos de ônibus, principalmente no início da pandemia. Alguns foram demitidos porque cobraram melhor condição de proteção. Não ficamos imunes a essa intolerância de alguns indíviduos”, disse ele.

Mas diante de tudo, o veto do presidente Bolsonaro às indenizações a profissionais de saúde afetados pela pandemia foi um dos momentos mais tristes. “Foi uma oportunidade perdida pelo governo brasileiro de reconhecer o trabalho daqueles que, mesmo com medo, foram para a linha de frente e colocaram a própria família em risco. O profissional de enfermagem ainda sofre com a angústia de poder ser o vetor de transmissão daquele vírus para sua família”, disse ele.

O presidente Jair Bolsonaro vetou integralmente no dia 4 de agosto o projeto de lei que previa R$ 50 mil para trabalhadores da saúde incapacitados pela Covid-19. O projeto havia sido analisado pela última vez pela Câmara dos Deputados, e aprovado no dia 14 de julho, após mudanças feitas pelo Senado. Pelo projeto, teriam direito à indenização profissionais que, atuando no combate à pandemia, se infectaram com o novo coronavírus e ficaram permanentemente incapacitados.

Almeida acredita que a pandemia fez com que os profissionais de enfermagem tomassem consciência de sua importância na sociedade e se organizassem melhor. Mas ele lamenta que os mais de dois milhões de profissionais não se reflitam na representatividade política no Congresso Nacional e nas Assembleias e Câmaras legislativas. Para ele, eleger enfermeiros seria uma forma de conquistar estas demandas atrasadas que afetam tão negativamente a categoria em momentos como desta pandemia.

Assista à entrevista com Walkirio Almeida:

Esther Solano: “População está empobrecida e em desespero”

 

Pesquisadora do bolsonarismo alertou para a urgência de o campo progressista se conectar com periferias, especialmente à luz dos dados do último Datafolha.

 

A cientista política Esther Solano, professora da Unifesp - Foto: Facebook

A população brasileira está empobrecida e em absoluto desespero com a pandemia, afirma a cientista política Esther Solano, que pesquisa o campo bolsonarista e tem conversado com pessoas decepcionadas com Jair Bolsonaro. Segundo Solano, mesmo desapontados, os eleitores afirmam que votariam nele novamente por “falta de opção”.

A pesquisadora alertou para a urgência de o campo progressista voltar a se conectar com essas pessoas, principalmente à luz dos dados da última pesquisa Datafolha, que mostra Bolsonaro com 37% de aprovação, o melhor índice desde o início do mandato. Para Solano, Bolsonaro foi bem-sucedido em três frentes: capitalizar o auxílio emergencial de R$ 600; moderar o discurso e diminuir a interferência de seus filhos, vistos como criadores de confusão por seus eleitores.

“Nós temos uma estratégia muito bem pensada para aumentar a popularidade do Bolsonaro. A minha preocupação é como a gente vai reagir a tudo isso”, comentou. Ela afirmou ainda que é preciso deixar de lado a arrogância intelectual e a culpabilização da parcela da população que se volta para Bolsonaro, em especial os que dependem do auxílio emergencial. Esther Solano tratou do tema em live da Semana de Economia da Unicamp. A pesquisadora foi a organizadora do livro “O ódio como política: a reinvenção das direitas no Brasil”.

“Depois da saída de Sergio Moro, Bolsonaro perdeu uma parte da classe média lava-jatista. A pauta anticorrupção é muito forte na classe média. Mas, quando tem uma crise econômica como a do coronavírus, a pauta de corrupção passa a segundo plano. E o Bolsonaro traça uma estratégia que é, já que está perdendo na classe média, vai focar nas classes mais desfavorecidas”, explicou ela.

Segundo Esther Solano, em seus contatos com a população, as pessoas admitem temer o coronavírus, mas o medo de não conseguir alimentar a família é maior.

“O que estou encontrando em minhas pesquisas com essa população mais empobrecida é um momento de absoluto desespero. Pessoas com muito medo do desemprego, com muito medo da fome e que têm medo do contágio, da doença, mas que têm igualmente muito medo de perder o emprego. Porque os boletos estão caindo e os filhos precisam ser alimentados”, relatou.

Outro discurso que Solano tem encontrado nas periferias é o de que isolamento social é um privilégio. “Veja o que estão falando para mim: ‘Isolamento social é privilégio. Para nós, pobres, não há esse direito’. Então, veja a precariedade desses direitos, negados a essa população periférica. É uma coisa que a gente tem que radicalmente entender. A gente, do campo progressista, não pode ficar só com essa ideia do fica em casa. Nós temos, obviamente, que apoiar isolamento social como medida sanitária, mas junto com potentes medidas econômicas”, defendeu.

A pesquisadora comentou também como o auxílio emergencial acabou vinculado ao governo Bolsonaro. “As famílias estão desesperadas, as famílias estão empobrecidas e obviamente quando você tem R$ 600 caindo na conta, isso faz com que aumente sua confiança do governo. Muitas das pessoas que receberam esse auxílio não sabem que a autoria é da oposição. Pensam que a autoria é do governo, porque é o governo que está dando”.

Presença

 

Para Esther Solano, é “arrogância” e “absurdo” pensar que “o pobre sempre tem que ser natural e diretamente definido como progressista, identificado com o campo da esquerda”. Ela diz que há uma reclamação nas periferias até mesmo de abandono por parte do campo progressista.

“A primeira coisa que aparece nas minhas pesquisas é: ‘Onde está a esquerda?’ É uma coisa muito impactante. Há uma reclamação muito potente de uma certa invisibilidade. Outra coisa que é muito forte é um sentimento de abandono. As pessoas mais empobrecidas falam isso. Nos abandonaram simbolicamente, pois não estão lutando por nossas grandes pautas, e nos abandonaram nos territórios. Onde está a esquerda nos territórios mais vulneráveis? A gente não está nas redes sociais, não conseguimos furar as bolhas online, e a gente não consegue estar presente nos territórios.”

Religião e segurança pública

 

A pesquisadora citou ainda dois fatores que foram fundamentais para Bolsonaro se eleger: sua aproximação com os evangélicos e a pauta da segurança pública.

“O Bolsonaro não foi só eleito pela sua política de ódio. Foi eleito porque fez um trabalho junto com grandes bispos evangélicos pentecostais e neopentecostais dentro das igrejas, de luta por uma estrutura moral e ética que supostamente representava a família tradicional e essa é uma luta que a gente perdeu. A bancada evangélica fundamentalista é uma aberração política, nós temos que lutar contra. Mas, ao mesmo tempo, nós temos que nos reconectar, comunicar e principalmente escutar o público popular evangélico que é fundamentalmente composto pelo público periférico”, disse.

Esther Solano afirma também que a esquerda precisa, urgentemente, pensar em soluções para a segurança pública. “Nós temos que urgentemente tomar para nós a centralidade dessa pauta, pensar em propostas compreensíveis, concretas, porque de fato a população jovem periférica está sendo dizimada e nós não temos respostas para isso. A política de Bolsonaro é construída sobre o ódio mas é construída também sobre outras pautas brasileiras”.

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