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Ataques com seringas levam medo à população de Arapiraca

Três pessoas teriam sido vítimas, mas apenas o caso de uma criança confirmado

 

 

 

 

 

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↑ Ataques provocam medo e pânico nos moradores de Arapiraca (Foto: Reprodução)

Uma onda de ataques com agulhas de seringas está provocando medo e pânico na população de Arapiraca, sobretudo nos moradores de bairros periféricos da segunda maior cidade de Alagoas.

Segundo apurou a reportagem da Tribuna Independente, três pessoas, incluindo uma criança e uma mulher teriam sido vítimas dos ataques.

O único caso confirmado até agora é de uma criança de apenas dez anos de idade. O garoto estava brincando na porta de casa, na manhã de ontem (19), no bairro Cacimbas, e uma pessoa não identificada injetou uma agulha de seringa no menino.

Desesperada, a mãe do garoto levou o filho até o Hospital de Emergência Daniel Houly, e, no início da tarde, a criança foi transferida para o Hospital de Doenças Tropiciais (HDT), em Maceió.

O Serviço Social do Hospital de Emergência do Agreste, em Arapiraca, está acionando o Conselho Tutelar para acompanhar o caso do ataque ao menino.

O hospital não confirmou os outros dois casos e que teriam como vítimas duas mulheres. Um dos ataques teria ocorrido nas imediações de um açougue e o terceiro caso nas proximidades de uma loja na Rua 15 de Novembro, no centro comercial de Arapiraca.

O medo da população é de contaminações por HIV, hepatite, tétano e outras doenças virais.

Nesses casos, a vítima deve ser levada imediatamente a um hospital para receber vacina e medicação antirretroviral.

Fonte: Tribuna Independente / Davi Salsa

 
 

Governo incentiva criação de aves caipiras como alternativa para agricultura familiar

 

 

 

 

 

 

Cooperativa de Santana do Ipanema incentiva e apoia a comercialização das aves e ovos

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↑ No Sítio Rancho das Lajes, em Santana do Ipanema, a criação das aves vem dando lucro aos pequenos produtores rurais (Foto: Ronaldo Lima / Agência Alagoas)

Considerado um prato típico, saudável e bastante procurado no interior alagoano, a galinha caipira – ou capoeira – vem sendo uma alternativa rentável para os agricultores familiares no Sertão de Alagoas. A iniciativa tem recebido o incentivo do Governo do Estado.

Um dos exemplos, é o Sítio Riacho das Lajes, em Santana do Ipanema, a criação das aves vem dando lucro aos pequenos produtores rurais.

José Pedro, agricultor familiar, é um dos produtores que receberam do Governo de Alagoas, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri), um lote com 60 pintainhos e não parou mais sua criação com galinhas caipiras. Ele apostou na atividade há mais de quatro anos e vem colhendo uma renda satisfatória, utilizando pouco espaço de sua pequena propriedade.

De presidente de uma associação, atualmente ele preside uma cooperativa em Santana do Ipanema com as famílias que foram beneficiadas com o Programa de Incentivo à Avicultura da Seagri. “Piteu”, como é mais conhecido José Pedro, explica que foi graças essa parceria entre a Seagri  e a Prefeitura de Santana do Ipanema que a atividade vem dando certo na região.

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(Foto: Agência Alagoas)

“Desde o primeiro lote que conseguimos vender à prefeitura, o lucro é liquido e certo, acima de qualquer outra atividade no campo que a gente faz”, assegura Pitéu.

O agricultor explica que a atividade com galinhas caipiras é muito mais vantajosa do que a pecuária em vários aspectos, inclusive o espaço do aviário que é de 9 metros quadrados, o que facilita o manejo, a alimentação e a limpeza do local. “Além de sobreviver num ambiente limpo, também soltamos as galinhas em nosso terreno”.

De acordo com Pitéu, além de rentável, a criação de galinha caipira oferece aos compradores uma carne e ovos saudáveis, de qualidade e grande teor de proteína. “É bom para o consumidor, que vale a pena pelo sabor diferenciado e a qualidade do alimento que estão levando para casa, e, ao mesmo tempo, bom para nós produtores que aumentamos nossa renda familiar”.

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(Foto: Agência Alagoas)

Como explica Elielton Amaral, superintendente de Inclusão Produtiva da Seagri, a atividade de criação de galinhas caipira ela é voltada para duas finalidades: consumo próprio e a comercialização.

Segundo Elielton, o Proaves do Governo de Alagoas tem como propósito incentivar e alavancar a atividade avícola nos municípios alagoanos. “Projeto nesse sentido está em análise do Fecoep, que visa à compra de aves e ração para distribuição com as famílias cadastradas”.

Pelo projeto, o Governo de Alagoas vai investir recursos no Proaves, e a cada família cadastrada serão entregues 60 pintainhos, sendo 30 para corte e 30 para postura. “Além de oferecer alimento às famílias, o excedente será comercializado e gerar renda aos pequenos agricultores”, afirma Elielton.

Em Alagoas, dois municípios, Santana do Ipanema e São José da Tapera, se destacam na atividade avícola com galinhas caipiras, e a proposta da Seagri é incentivar e fortalecer a atividade em outras cidades do interior do Estado.

Fonte: Agência Alagoas / Texto: Ronaldo Lima

Defesa Civil Estadual monitora grotas de Maceió e interior

 

 

 

 

 

Maior preocupação no momento é com a situação das barreiras na capital; desabamento provocou uma morte na Grota do Pau D’Arco

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↑ De acordo com os dados da Sala de Alerta da Semarh, a chuva deve continuar caindo de forma rápida e intensa nesta segunda-feira em toda a Região Metropolitana (Imagem: divulgação)

A Defesa Civil Estadual está monitorando a situação das barreiras da capital alagoana, atingidas pela chuva intensa que caiu sobre Maceió nas últimas 48 horas. Na Grota do Pau D’Arco, uma mulher ficou ferida e uma criança morreu em decorrência do desabamento de uma residência ocorrido na noite de sábado (17). Vários pontos de alagamento também foram registrados, causando transtornos ao maceioense durante o domingo (18) e na manhã desta segunda-feira (19).

De acordo com o coordenador da Defesa Civil Estadual, major Moisés Melo, a situação em alguns municípios também vem sendo acompanhada pelo órgão. “Cidades como Marechal Deodoro, Pilar, Capela e São Miguel dos Campos registraram alagamentos, mas sem grandes prejuízos. Em Jacuípe, uma parte da cidade ficou alagada no domingo e uma barreira deslizou, mas a situação já está se normalizando. Mesmo assim, esses municípios vão continuar sendo monitorados”, disse.

O major ressalta que a maior preocupação da Defesa Civil Estadual neste momento são as barreiras e grotas de Maceió, que estariam saturadas pela água. “As barreiras da capital estão encharcadas e isso representa um perigo. Estamos levantando os locais com maior risco para tomar as medidas que forem necessárias. E vamos continuar de prontidão para atuar em qualquer emergência”, explicou Melo.

PREVISÃO

De acordo com os dados da Sala de Alerta da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), a chuva deve continuar caindo de forma rápida e intensa nesta segunda-feira em toda a Região Metropolitana. Na terça-feira (20), a previsão é de que ela ocorra de forma moderada. Na quarta-feira (21), a expectativa é de céu aberto na maior parte do dia.

Fonte: Agência Alagoas

Rodovias Federais que cortam Alagoas são fechadas em protesto contra reforma da Previdência

 

 

 

 

 

 

 

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O Movimento Via do Trabalho interditou, durante a manhã desta segunda-feira (19), as rodovias federais 101 e 104 que cruzam o estado de Alagoas em protesto contra a Reforma da Previdência e em defesa da Reforma Agrária. O ato faz parte de uma mobilização nacional e acontece desde as 8h da manhã, sem previsão para a liberação das vias.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), há pontos de bloqueios nas cidades de União dos Palmares e de Teotônio Vilela. Nos dois casos, as vias estão totalmente interditadas.

Segundo o integrante da coordenação geral do Movimento no país, Marcos Antônio da Silva, o Marrom, a mobilização defende, além da Reforma Agrária e uma posição contrária à Reforma da Previdência, uma diminuição da violência nos campos.

“Há três anos cobramos da Secretaria de Estado da Infraestrutura (SEINFRA) uma posição concreta e imediata sobre a questão agrária e a violência que assola os campos. Sequer está havendo distribuição de comida, e estamos desde dezembro aguardando uma audiência pública com o órgão. Aproveitamos a mobilização nacional contrária a Previdência para também levantar uma bandeira a favor da Reforma Agrária em Alagoas” explicou.

Ainda de acordo com Marcos, as rodovias foram fechadas com pneus e ainda não há previsão para a liberação das vias. “Colocamos pneus nas pistas e não temos uma definição do momento em que vamos liberar” disse ele.

Além do ato, também estão agendadas para hoje (19) outras manifestações no estado de Alagoas, nas regiões de Delmiro Gouveia, Arapiraca e Maceió.

Sem Greve

O Sindicato dos Bancários em Alagoas esclareceu, durante a manhã desta segunda-feira (19), que a mobilização da categoria em protesto contra a reforma da Previdência ocorre a nível nacional assim como em outras entidades, mas que ainda não existe nenhum indicativo de greve geral.

Márcio dos Anjos, presidente do sindicato, afirmou que a mobilização ocorre em favor do trabalhador brasileiro e contra os deputados alagoanos que votarem a favor da medida. “A mobilização hoje é a favor do trabalhador brasileiro. Nós queremos deixar um recado para o deputado alagoano que votar a favor, pois ele poderá não voltar ao Congresso nas próximas eleições, mas não há indicativos de uma greve geral” esclareceu o presidente.

Santanense vence concurso literário promovido pela Academia Pernambucana de Letras

 

 

 

 

 

(Fotos: Assessoria)

Por redação com APL

 

 

O livro A Menina que vendia rosas encarnadas, de Manoel Constantino Filho, venceu o prêmio Elita Ferreira de Literatura

No dia 29 de janeiro, o público lotou o auditório da Academia Pernambucana de Letras para a cerimônia comemorativa dos 117 anos com a posse da nova diretoria eleita, entrega dos Prêmios Literários de 2017, lançamento da Revista nº 46 da APL. 

Várias autoridades estiveram presentes como o escritor membro da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vinicios Vilaça; o secretário de cultura, Marcelino Granja; a diretora presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco –  Fundarpe, Márcia Souto; o presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região – TRF5, Manoel Erhardt e a conselheira do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco – TCE/PE, Tereza Duere. Ao término da solenidade, houve, nos jardins, apresentação especial do compositor Getúlio Cavalcanti, do Bloco das Flores e do Bloco Lírico Carnaval Poeta. 
 

 



O Santanense Manoel Constantino Filho venceu o Prêmio ELITA FERREIRA – Literatura Infantojuvenil – (Inédito), Patrocinado pela Editora Bagaço. “A Menina que vendia rosas encarnadas”.

Veja o vídeo do momento da entrega do prêmio ao santanense Manoel Constantino Filho.


 

 



A conquista do prêmio pelo santanense foi destaque no Jornal do Commercio, edição de m29 de janeiro de 2018.
 

 



Fonte: http://www.aplpe.org.br/apl-celebra-117-anos/

 

 

 

 

 

 

 

 

O centenário de Jacob do Bandolim, um dos maiores da nossa música

Tainan Rocha
Ilustração de Tainan Rocha, especial para o <b>Vermelho</b>Ilustração de Tainan Rocha, especial para o Vermelho


Jacob foi o autor de clássicos como “Vibrações”, “Doce de Coco”, “Noites Cariocas, “Assanhado” e “Receita de Samba”. Estes cinco choros bastariam para justificar uma vida. No entanto, o controverso Jacob fez mais, muitos mais.

Suas composições estão entre algumas das melodias mais executadas nas rodas de choro de todo o Brasil. Elas trazem estruturas harmônicas e construções melódicas que soam, ainda hoje, tantos anos depois, como extremamente modernas e elaboradas.

Tanto se atribui ao jazz e aos impressionistas europeus a formação estrutural da bossa nova, mas se esquecem que por aqui, nas ruas do Rio de Janeiro, tudo aquilo já era gestado com naturalidade, por grandes instrumentistas e compositores, entre eles, Jacob e Pixinguinha.

O próprio Jacob, no antológico show de Elizeth Cardoso, em 1968, ao lado do seu grupo, o também lendário Época de Ouro, e do Zimbo Trio, fez questão de executar o clássico seminal da bossa “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, ao lado do famoso trio. O que se ouvia naquele momento, eternizado em disco, ficou para a posteridade como um encontro de eras. Através do talento de Elizeth, dois mundos se reencontravam para a atestar o quanto um devia ao outro, o tanto um vinha do outro.

Tanto a bossa nova quanto o choro passam por fenômenos parecidos. Vez ou outra são reinventados e voltam a tocar intensamente. A diferença, e pode-se afirmar com toda a certeza, é que enquanto a bossa só tem um Tom Jobim, o choro tem vários deles, entre os quais e sem sombra de dúvidas, está o Jacob.

Seus discos são lindos e repletos de variações. Muitos com o pequeno regional, outros com cordas. Desde 1947 até morrer, em agosto de 1969, gravou dezenas deles em vários formatos. Mesmo depois de sua morte, continuou sendo homenageado, tanto em relançamentos quanto álbuns com artistas recuperando e relendo a sua obra.

Jacob era tido como uma pessoa chata e geniosa, de temperamento forte e difícil. Competitivo, detestava Waldir Azevedo e, ao responder sobre os três maiores gênios do choro respondia sem pestanejar: “Pixinguinha, Pixinguinha e Pixinguinha”. E foi justamente após uma visita ao mestre que, ao chegar em casa, teve um segundo infarto, desta vez fulminante.

O legado deixado por Jacob permeia a nossa música desde então. A sua influência sobre músicos excelentes como Pepeu Gomes, Armandinho e, mais atualmente, Hamilton de Holanda é inegável. Tradicionalista, detestaria o que os três andaram fazendo com a sua música, desde executá-la com guitarras elétricas até improvisos extensos em um bandolim de dez cordas.

O fato é que, paradoxalmente, apesar de ser um grande tradicionalista, a sua música foi, e permanece até hoje, extremamente revolucionária. Jacob tem tanta importância para a nossa música quanto os maiores. Poucos, muito poucos, na música brasileira, conseguiram tanto prestígio e reconhecimento fazendo música instrumental.

Jacob é um deles.

Ouça algumas canções do mestre Jacob: 









 

*Julinho Bittencourt é jornalista, músico e redator da Revista Fórum

A presença da tradição oral na literatura para crianças

 

 

 

 

Divulgação
Apropriando-se de contos que pertencem a todos, os jovens sem individualidade-história podem ser ajudados a se inventarem, a criar a própria históriaApropriando-se de contos que pertencem a todos, os jovens sem individualidade-história podem ser ajudados a se inventarem, a criar a própria história


Cascudo preocupa-se em garantir a veracidade do papiro egípcio, encontrado na Itália em 1852, e informa que o rudimento de livro para criança é um conto popular com os enredos próprios da época dos faraós, mas que também vivem nas histórias tradicionais do Brasil, apesar do tempo e da distância que os separam.

Cascudo observa que o registro das narrativas orais tem recebido menos atenção que o da poesia popular. Insiste na importância do conto popular tradicional como formador de uma memória emocional, social e antropológica. Segundo ele: “O conto é um vértice de ângulo dessa memória e dessa imaginação. A memória conserva os traços gerais, esquematizadores, o arcabouço do edifício. A imaginação modifica, ampliando pela assimilação, enxertias ou abandonos de pormenores, certos aspectos da narrativa”.

O erudito ensaio de Cascudo vale, sobretudo, por chamar atenção para o processo de construção da narrativa: a memória como arcabouço estruturante e a imaginação com seus acréscimos e transformações. Essa teoria em parte está contida em Walter Benjamin, quando ele identifica dois tipos de narradores que se complementam: O viajante, que vive a experiência lá fora no mundo, ouve histórias em suas andanças e, ao retornar à pátria, conta o que viveu, viu e ouviu. O segundo tipo de narrador é o sedentário, aquele que sem nunca sair de sua aldeia natal ouve as histórias e as experiências dos viajantes e, enquanto trabalha ou caminha, reelabora o que ouviu, subtrai, acrescenta, enxerta cores, sons, vocábulos e expressões locais e assim cria uma nova história.

O narrador sedentário reinventa formas e significados, poesia e símbolos; enxerga os ossos do que é narrado, dissecando músculos, gorduras e pele e construindo um novo corpo narrativo.

Jean-Claude Carrière, no prefácio de O Círculo dos Mentirosos, contos filosóficos do mundo inteiro, faz uma curiosa observação sobre os narradores judeus, para quem o ato de narrar é tão importante quanto a própria história. Segundo ele, “a tradição judaica pressupõe muitas vezes a existência por trás das palavras, da ordem das palavras e do próprio lugar que ocupam as letras, de uma espécie de estrutura secreta, uma mensagem colocada ali por não se sabe quem, um outro significado, o verdadeiro, como se a aparência do conto não passasse de uma máscara”.
É importante lembrar que a psicanálise fundada por um judeu, Sigmund Freud, buscou nos mitos seus significados mais secretos. Freud analisou histórias em que as civilizações se narram. Da análise dessas histórias coletivas, como a do rei Édipo, que foi reescrita por Sófocles, ele parte para a experiência da análise individual, um método em que a pessoa se narra sozinha, buscando verdades e significados que transcendem o aparente.

A importância dessas histórias que acompanham o homem desde que ele conseguiu juntar palavras em frases e frases em narrativas mais longas é narrá-lo tanto coletivamente como individualmente. No mesmo prefácio do Círculo de Mentirosos Jean- Claude Carrière relata que perguntou certa vez ao neurologista Oliver Sacks o que, a seu ver, era um homem normal. Depois de hesitar um pouco o neurologista respondeu “que um homem normal talvez fosse aquele capaz de contar a sua própria história”. E acrescenta que esse homem narrador “sabe de onde vem (tem uma origem, um passado, uma memória em ordem), sabe onde está (sua identidade) e acredita saber aonde vai (ele tem projetos e a morte no fim). Portanto, ele se situa no movimento de um relato, ele é uma história e ele pode se narrar. Caso esta relação indivíduo-história venha a se romper, por qualquer razão fisiológica ou mental, eis aí o relato partido, a história perdida, a pessoa projetada para fora do tempo. Ela não sabe mais nada, nem o que ela é, nem o que deve fazer. Ela se agarra a algumas aparências da existência. O indivíduo, aos olhos do médico, surge à deriva: “Ainda que seus mecanismos corporais funcionem, ele se perde no meio do caminho, não existe mais”.

Muito cedo me dediquei à investigação das narrativas de tradição oral e a uma coleta não sistemática de histórias, preocupado em construir uma escrita pessoal. Mais tarde, com alguns livros de ficção publicados e vários espetáculos teatrais encenados, passei a conviver com alunos de escolas públicas e particulares e a observar as dificuldades que eles tinham para desenvolver uma leitura, uma fala e uma escrita. Sobretudo nas escolas públicas, com crianças e jovens das populações chamadas de risco, esse travamento era mais evidente. A maior parte deles era incapaz de compreender e interpretar o que lia, quando sabia ler, e, o mais grave, não conseguia elaborar fios narrativos. Como médico clínico de serviços de psiquiatria para crianças e adolescentes, sei que a incoerência e fragmentação do discurso ou fala se justificam por doenças como esquizofrenia ou demência. Mas, entre jovens considerados normais, o que poderia causar essa dificuldade? Por que avançamos tão pouco na educação, mesmo quando anunciam progressos econômicos, com um aumento do consumo e do poder de compra?

Apropriando-se de contos que pertencem a todos, os jovens sem individualidade-história podem ser ajudados a se inventarem, a criar a própria história. Como é possível que alguém não consiga narrar-se, alegando que não possui uma história? O patrimônio de narrativas acumulado em milhares de anos é nossa história, ele pode ser sacado a qualquer momento, como um mágico saca um coelho de dentro de uma cartola. Somos um país predominantemente oral. No Brasil, uma das maneiras mais usuais de transmissão do conhecimento ainda é a fala, como se tivéssemos uma natural desconfiança da escrita, como se ela não se bastasse por si mesma e necessitasse do reforço da oralidade. Se analisarmos a maneira como o acervo de contos de tradição oral serviu de arcabouço para a literatura de povos de várias partes do planeta, talvez cheguemos a um método educativo que nos ajude a reverter os problemas de aprendizado da leitura e da escrita.
 
 

*Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor

Fonte: Blog do autor

 

Intervenção no Rio: dobrando a aposta no choque de austeridade

 

Apu Gomes
  

Não é possível dissociar essa intervenção (militar) na segurança do Regime de Recuperação Fiscal, os dois são imposições do governo federal travestidas de “acordo”. Afinal, não tivemos poder de barganha praticamente nenhum nos dois casos, apenas cumpre-se ordens passando por cima de nossa autonomia federativa.

Em ambos, prevalece a tese de crise moral e ineficiência administrativa. Por essa razão, após o apelo a “choque de austeridade” se apela agora a segunda fase do “choque de ordem”. As duas faces de uma mesma moeda. O “choque de ordem” não começou agora, já existia desde que criou-se uma prioridade de desembolsos para a pasta de segurança a despeito dos atrasos para as demais funções de Estado. Na ocasião, argumentei diversas vezes que o risco era do Rio se tornar um “Estado policial” onde poderia parar tudo menos a segurança.

Essa tática não deu certo porque o choque de austeridade foi tão duro que mesmo sendo priorizada a pasta de segurança sofreu um enfraquecimento considerável do ponto de vista de recursos para um planejamento e visão estratégica. Passou a prevalecer a lógica curto prazista que dá razão ao uso mais indiscriminado do poder bélico. Tática cruel pôs reduz o espaço de mediação com lideranças sociais no território e expõe o policial a maior risco (em particular, de vida) em operações improvisadas e que se exige resultados midiáticos.

Diante disso, duas vias poderiam ser cogitadas. Primeira via, aprofundar essa lógica belicista de “território em guerra”. Segunda, socorrer financeiramente o governo estadual junto a planejamento estruturado de políticas numa lógica desenvolvimentista de “territórios produtivos”. Na segunda via, ao invés de intervenção militar, se teria uma solução federativa via o fortalecimento de um fundo nacional de segurança pública junto de políticas indutoras sobre a economia estadual.

Optou-se para primeira via, aquela da lógica belicista de “território em guerra”. Ela se adequa bem a interpretação resumida à crise moral e ineficiência administrativa, dado que é um governo estadual que se aceita fraco e inoperante e que renuncia a função que foi escolhida como a principal. Parte da opinião pública que acredita em soluções de força salvacionista vão idealizar os desdobramentos diante das demonstrações ostensivas das armas do poder público.

Porém, prevalece a questão central: e a questão financeira? Mantendo-se o governo estadual na lona, servo dos interesses de credores de dívida e pulando de receita extraordinária em receita extraordinária sem capacidade orçamentária para qualquer ação estratégica. Diante disso, não idealizo que se fortalecerá nem mesmo a pasta de segurança pública sem uma solução que garanta o fortalecimento financeiro do governo estadual para restabelecer suas políticas.

O que o governo federal faz agora é mais um ataque ao princípio federativo para dobrar a aposta no choque de austeridade que ele nos impôs. Um governo estadual que já serviu para articular isso nos últimos anos agora cumpre seu último papel, após condenar a economia agora entrega o controle do território. Após o saque e expropriação, legitima-se um território visto como em guerra que é um território fadado a ser improdutivo.

E pior, o modelo de ocupação sugerido é dos grandes eventos, ou seja, pensa-se em usar um conceito “fora do tempo”. Tenta se ocultar que um modelo dessa natureza só serve para uma excepcionalidade momentânea e para isolar em “bunker” alguns pontos da cidade com visibilidade internacional e as vias de acesso aos mesmos. Isso está longe de servir para uma tática corrente de dia-a-dia de patrulhamento e para atender a totalidade do território. Provavelmente, insistindo nisso vai se escolher pontos focais de vitrine e reproduzir a lógica de cerco ao resto do espaço.

O objetivo de usar o Rio de Janeiro de “vitrine” continua. Primeiro como anti-exemplo de desajuste fiscal para estimular as reformas conservadoras nacionais, agora também como anti-exemplo de desordem social para experimentar medidas de exceção num espaço militar sitiado. Fora esse efeito “vitrine”, só oferecem a promessa de remissão com a ideologia da austeridade.

Diante disso, ou superamos as limitações da tese de crise moral e ineficiência administrativa para uma olhar mais profundo para os problemas econômicos ou não entenderemos que ao invés de tanque e fuzil, o escudo do povo sofrido é sua carteira de trabalho. Inclusive para fortalecer a pasta de segurança esse olhar é preciso para ela se enxergar como composta de classe trabalhadora e voltarmos a ser todos sujeitos de nossa própria história como população fluminense. Só assim não vacilaremos em servir ainda mais a um governo federal que nos tira poder de gasto e recuperação socioeconômica.

Conclusão

O tema de segurança vai se tornar o principal tema do processo eleitoral estadual. Cabe decidir se os candidatos vão escolher combinar com: austeridade fiscal máxima somada à lógica belicista de um território em guerra (logo, improdutivo), ou então solução federativa que fortaleça de recursos as funções da administração estadual somada à carteira de trabalho como escudo do povo (ou seja, políticas de emprego e da renda sob um território produtivo). A diferença entre as duas propostas é se vão reafirmar a vigilância e o controle sobre o “cativeiro social” ou buscar sua libertação
 
 

*Bruno Leonardo Barth Sobral é economista e professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ, tendo doutorado pelo Instituto de Economia da Unicamp. Autor do livro: “Metrópole do Rio e Projeto Nacional: uma estratégia de desenvolvimento a partir de complexos e centralidades no território” (Editora Garamond, 2013)

Fonte: Brasil Debate

 

Militares são condenados por gravar vídeo comentando a soltura de mulher flagrada com armas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Três policiais militares foram condenados à prisão por terem gravado um vídeo que ganhou repercussão nacional nas redes sociais sobre a soltura de uma alagoana presa em flagrante com oito revólveres calibre 38 e 32, em agosto do ano passado. A decisão do Comando Geral do Polícia Militar foi publicada no Boletim Ostensivo da Polícia Militar (BGO), desta quinta-feira (15).

Em uma cópia, obtida pela reportagem do CadaMinuto, a decisão enfatiza que o ato dos militares em gravar o vídeo com imagens da acusada Maria Cícera Oliveira Lima Santos na porta de sua residência no dia seguinte a qual foi presa, “comprometeu o prestígio e a imagem da corporação”, além de criticar de forma “irônica” a decisão Judicial.

Cícera foi colocada em liberdade durante a audiência de custódia, mesmo tendo sido flagrada de posse de oito armas de fogo. Os três militares, lotados no 1º Batalhão da Polícia Militar, deverão ficar reclusos por oito dias.

Na decisão, o Comando da PM afirmou que os militares receberam o direito de ampla defesa, mas não conseguiram apresentar argumentação satisfatória. “Considerando que o dever da Polícia Militar é executar atividades que tenham como finalidade a preservação da ordem pública. Desta feita, quando realizou a prisão em flagrante de delito da srª  Maria Cícera Oliveira Lima Santos, o fez com o pleno exercício da função pública. Porém, o que virar depois, não cabe externar sua opinião, tanto do lado da Polícia Civil, quanto ao Poder Judiciário”, diz um trecho da decisão.

A infração praticada pelos policiais foi considerada grave e eles devem cumprir a pena na sede do 1º Batalhão, no bairro do Poço. A pena deverá começar a ser cumprida nesta sexta-feira (16).

Foto: Reprodução / InternetBbb0efbb 0f69 4c44 bcf7 6278042de517Caso do soldado do Exercito internado em janeiro, em um hospital particular de Maceió, ainda está sob investigação.

Alagoas tem um caso de febre amarela sob investigação. É o que aponta um balanço divulgado nesta sexta-feira, 16, pelo Ministério da Saúde. O caso em questão é o do soldado do Exército Brasileiro que foi internado em um hospital particular de Maceió, no final de janeiro deste ano, com suspeita da doença, que teria sido adquirida durante uma viagem do militar, em missão, ao Amazonas. 

Um outro soldado, que também participava da missão, foi diagnosticado com malária e segue internado, aguardando o resultado de alguns exames. 

No dia 30 de janeiro, o militar que estava internado com suspeita de febre amarela recebeu alta médica, após dois dias internado. Ele realizou exames que descartou a malária e apresentou melhora significativa no estado de saúde.  

Amostras do paciente foram enviadas para a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) que indicará a existência de febre amarela, mas ainda não ficaram prontos e nem foram divulgados os resultados. 

Segundo o Ministério da Saúde, as mortes por febre amarela no país chegaram a 154 entre 464 casos confirmados.  Além desses, há ainda 487 notificações em investigação. Dos 1.626 casos suspeitos, 684 foram descartados. 

O balanço divulgado hoje se aproxima do que foi registrado no ano anterior, quando o surto da doença bateu o recorte histórico de casos. Em 16 de fevereiro de 2017, havia 532 casos confirmados e 166 mortes considerado o período iniciado em julho de 2016. 

O registro da doença ocorre principalmente em três estados: Minas Gerais (225 casos confirmados e 76 mortes), São Paulo (181 casos e 53 mortes) e Rio de Janeiro (57 casos e 24 mortes). Além destes, foi identificado um caso no Distrito Federal. 

Além de Alagoas, outros estados também possuem casos ainda em investigação: Amazonas (3), Pará (4), Rondônia (2), Tocantins (5),  Bahia (4), Sergipe (1), Goiás (11), Mato Grosso (1), Mato Grosso do Sul (1), Espírito Santo (13), Paraná (10), Rio Grande do Sul (9) e Santa Catarina (7). 

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