Fim da escala 6×1 tem apoio de quase 70% dos brasileiros, mostra Quaest
Apoio majoritário reforça debate sobre a redução da jornada de trabalho em meio à expectativa de votação da proposta no Senado
Publicado 15/07/2026 13:37 | Editado 15/07/2026 13:55

A redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate nacional com um dado que reforça o respaldo popular à proposta. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostra que 69% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, enquanto 22% se dizem contrários. Outros 4% afirmaram não ter opinião formada e 5% não souberam ou preferiram não responder.
O levantamento confirma que o apoio à medida permanece elevado desde que o instituto passou a acompanhar o tema. Em julho de 2025, o percentual de favoráveis também era de 69%; em dezembro daquele ano, atingiu 72%; em maio deste ano, ficou em 68%; e agora voltou ao patamar de 69%. A estabilidade dos índices indica que a proposta consolidou apoio majoritário entre a população, mesmo em meio ao debate sobre seus impactos econômicos e trabalhistas.
O resultado é divulgado em um momento decisivo para a tramitação da proposta. Após ser aprovada pela Câmara dos Deputados, a matéria aguarda análise do Senado, onde poderá ser votada antes do recesso parlamentar. A pesquisa também mostra que o tema já faz parte do conhecimento da maioria da população: 75% dos entrevistados disseram que já sabiam que a proposta havia sido aprovada pela Câmara e encaminhada ao Senado, enquanto 25% tomaram conhecimento durante a entrevista.
Jandira reforça apelo pela aprovação da proposta
A repercussão da pesquisa reforçou a mobilização em torno da votação. Em vídeo publicado nas redes sociais, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) defendeu que o Senado aprove a proposta ainda nesta semana e classificou a matéria como uma questão de dignidade para a classe trabalhadora.
“A dignidade de milhões de brasileiros e brasileiras está em jogo nesta semana. O fim da escala 6 por 1 é aprovado por quase 70% dos brasileiros, também pelo presidente Lula, e a Câmara já aprovou a proposta”, afirmou.
A parlamentar destacou que a mudança tem impacto ainda mais significativo para as mulheres. Segundo ela, enquanto a jornada formal termina, permanece sobre elas a responsabilidade pelo trabalho doméstico e de cuidados.
“Isso é muito importante para os homens trabalhadores, mas é fundamental para as mulheres, que nunca tiveram escala 6 por 1. As mulheres vivem uma escala 7 por 0. Sobre elas recaem o cuidado da casa, dos filhos, das pessoas com deficiência. As mulheres não têm folga”, disse. Jandira também defendeu a redução da jornada máxima para 40 horas semanais como forma de ampliar o descanso e estimular a geração de empregos.
Descanso e família lideram planos para o tempo livre
Embora o apoio ao fim da escala seja expressivo, a população ainda se divide sobre os efeitos práticos da proposta. Para 50% dos entrevistados, a mudança significará menos horas de trabalho por semana. Outros 45% acreditam que continuarão trabalhando a mesma carga horária, enquanto 5% não souberam responder.
Entre aqueles que acreditam que terão redução da jornada, a principal expectativa é recuperar tempo para a vida pessoal. Mais da metade (53%) afirma que pretende descansar e passar mais tempo com a família. Outros 13% dizem que buscariam uma fonte complementar de renda e 12% pretendem investir em estudos. Também aparecem entre as respostas a participação em atividades religiosas (9%), lazer (6%) e viagens (4%).
Os dados mostram que, para a maioria dos brasileiros, a discussão sobre o fim da escala 6×1 vai além da organização do trabalho. O tempo livre é percebido como oportunidade para descanso, convivência familiar e desenvolvimento pessoal, ao mesmo tempo em que parte dos trabalhadores enxerga a possibilidade de complementar a renda em um cenário ainda marcado pela pressão sobre o orçamento das famílias.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026.




