Nova variante da Covid, BA.3.2 pode chegar a Alagoas
Mesmo com alto grau de transmissão, não há motivo para preocupação e possibilidade de restrições é pouco provável

Uma nova variante do coronavírus, identificada como BA.3.2, já foi detectada em 23 países e tem se espalhado silenciosamente pelo mundo. A cepa, apelidada de “Cicada” (cigarra, em inglês), em uma referência ao inseto, que costuma surgir em grande número depois de longos períodos subterrâneos. Nenhum caso da variante foi detectado no Brasil até o momento.
Caso a nova cepa chegue ao Brasil e a Alagoas, a saúde no estado está preparada para absorver os casos que, porventura, possam ter. Foi o que assegurou o chefe de gabinete de Combate às Doenças Infectocontagiosas da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), médico infectologista Renee Oliveira.
“A BA.3.2 é uma subvariante, uma sublinhagem derivada do complexo Ômicron. Com grande capacidade de transmissão, ela se difunde com mais facilidade”, explicou. A ômicron surgiu no final de 2021.
Na avaliação do médico, a BA.3.2 pode chegar a Alagoas, devido a sua grande capacidade de transmissão. Ele garantiu que a vacina que está em uso atesta uma proteção muito boa com relação aos quadros de Covid de uma forma em geral, como também as suas formas graves. Alagoas está preparada caso a subvariante chegue porque não é nada muito diferente do que o registrado em um passado recente”, salientou Renne Oliveira ao chamar a atenção para a vacinação permanecer como uma grande proteção contra a subvariante.
O médico infectologista Renee Oliveira lembrou que a Covid diminuiu bastante, mas não foi embora. Caso a BA.3.2 chegue ao Brasil e a Alagoas, completou ele, as mesmas medidas deverão ser adotadas, a exemplo da vigilância, a busca de casos, o tratamento com a medicação que nós temos contra a Covid, os casos específicos, principalmente os idosos, e as orientações que já temos de longa data, a utilização da máscara, a higienização das mãos são suficientes.
Ele não acredita que o cenário volte a ser assustador como o registrado em 2020, quando a situação foi crítica devido à falta de conhecimento e imunidade. A melhor resposta continua sendo a vacinação.
Os sintomas dessa variante são semelhantes aos da Covid “tradicional”, a exemplo de dor de garganta, tosse, fadiga, dor de cabeça, febre, congestão nasal. Alguns casos também podem ter sintomas gastrointestinais, como náusea e diarreia.
A variante chama a atenção pelo alto número de mutações e maior escape imunológico dos anticorpos do que as cepas predominantes atualmente no mundo e alvos das vacinas. Atualmente, tem se espalhado pelos Estados Unidos.
A BA 3.2 foi identificada pela primeira vez no continente africano, em 2004. Alcançou países como Dinamarca, Holanda, Austrália, China e Estados Unidos.
Agentes sanitários dos Estados Unidos acreditam que a variante pode estar se espalhando nos sistemas de esgoto do país. Até agora, ela foi encontrada em 29 estados americanos.
A variante é descendente da ômicron, o que pode apresentar uma resposta cruzada com a vacina já existente. “Se você tiver a vacinação de forma correta, essa variante vem com menos gravidade”, explicou.
Na avaliação do médico infectologista Fernando Maia, é muito pouco provável que a população volte a ter as restrições trazidas com o surgimento do coronavírus.
“O comportamento dessa variante mostra que ela é semelhante às demais. Não há motivo de maior preocupação, a questão é monitorar para que não haja muitos casos novos, acompanhar os números dos casos de síndrome respiratório aguda grave, que é a SRAG. Mas, a princípio, com o atual cenário, não há um motivo de maior preocupação não”, frisou o médico.
Ele também acredita que a variante pode chegar a Alagoas devido à alta transmissão da variante e pelo fato de nem o estado, nem o Brasil estarem imunes à transmissão. Fernando Maia defendeu a vacina como uma grande estratégia para se livrar ou, no mínimo, diminuir os sintomas causados pela AB.3.2.
Em todo o mundo, ainda não está claro para a ciência se esta mutação pode acarretar sintomas mais graves ou maior mortalidade, sabe-se, no entanto, que o vírus possui um alto volume de propagação:
Os infectologistas explicaram que sempre haverá mutações, variações e variantes ano após ano, igual à gripe. As campanhas de vacinação contra doenças respiratórias reduzem as complicações associadas aos vírus.
A BA.3.2 vem sendo estudada minuciosamente, tendo em vista o número elevado de mutações.
Vacinação contra a Covid-19 – Desde 2024, a vacinação contra a Covid-19 faz parte do calendário nacional de gestantes, idosos e crianças no Brasil. Além disso, determinados grupos prioritários continuam a ter indicação de reforço periódico. Para os demais, não há mais orientação para novas doses.
De forma permanente, uma dose é recomendada para gestantes a cada gravidez e uma dose a cada seis meses para idosos com 60 anos ou mais, independentemente da quantidade de vacinas previamente recebidas pelo indivíduo.
Em relação às crianças, o esquema primário deve ser feito entre 6 meses e 5 anos. Ele pode envolver duas doses, com quatro semanas de intervalo entre elas, no caso da vacina da Moderna, ou três doses, com a segunda aplicada quatro meses depois da primeira, e a terceira oito meses após a segunda, no caso da Pfizer. Não há indicação de reforços na faixa etária.
Já para os grupos chamados de prioritários, que não têm calendários de rotina específicos no Programa Nacional de Imunização (PNI), os reforços continuam a ser ofertados no Brasil no esquema de “vacinação especial”. No caso dos imunocomprometidos, é indicada uma dose a cada seis meses. Para os demais, o reforço é anual.
Estão aptos a receberem a dose imunizante as pessoas vivendo em instituições de longa permanência; indígenas; ribeirinhos; quilombolas; puérperas; trabalhadores da saúde; pessoas com deficiência permanente; pessoas com comorbidades; pessoas privadas de liberdade; funcionários do sistema de privação de liberdade; adolescentes e jovens cumprindo medidas socioeducativas; além de pessoas em situação de rua.




