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Flávio foge, mas inquéritos e suspeitas contra ele continuam

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Flávio foge, mas inquéritos e suspeitas contra ele continuam

 

Para se livrar de investigações e posar como “preso político”, senador corre para os EUA após perder para Lula. Mas, rastro de sujeiras não se apagou, suscitando questões não respondidas

 

Flávio Bolsonaro tangenciou as respostas à Renata Loprete, preferindo atacar o adversário sem esclarecer seu eleitor.

Ao fugir do Brasil, Flávio Bolsonaro (PL) deixou para trás um rastro de crimes e indícios robustos de ilegalidades contra si, alguns dos quais já são alvo de investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). Esses casos deverão seguir seu curso, mesmo que um dos alvos já não esteja no País.

Além desses inquéritos, pesa contra o senador o fato dele ter deixado o Brasil logo após o ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinar que Flávio não poderia deixar o País e que ele entregasse seus passaportes. Tal atitude poderia ser alvo de um mandado de prisão preventiva, mesmo que o Zero Um não esteja em território brasileiro.

Porém, essa é uma alternativa complexa que dependeria da aceitação, pelas autoridades estadunidenses, de um pedido de extradição por parte do Brasil.

Saiba mais: Flávio Bolsonaro quer a presidência para enterrar investigações

Trata-se de um perspectiva pouco provável, levando em conta que autoridades dos EUA já sinalizaram que o acobertarão. A narrativa de que ele seria um “preso político”, perseguido por um “governo autoritário de esquerda” cai bem aos EUA, que estão sempre em busca de interferir na política interna dos países latino-americanos e não engoliu a vitória de Lula.

Por aqui, a lista de ações — no mínimo, eticamente questionáveis — e de possíveis crimes com indícios robustos constitui-se num elemento a mais para desconstrução da narrativa bolsonarista de “perseguição política”.

O amigo Willer

Um dos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Flávio Bolsonaro investiga suspeitas de lavagem de dinheiro via bets, movimentações financeiras irregulares e possíveis vínculos econômicos ocultos entre ele e o advogado e empresário Willer Tomaz. Essa relação remonta a, pelo menos, 2019. Willer também é alvo de apuração que faz parte da Operação Sem Desconto, relativa às fraudes no INSS.

A relatoria do inquérito está a cargo do ministro Alexandre de Moraes e foi no âmbito dessa investigação que ele ordenou a entrega dos passaportes e a proibição de Flávio deixar o País, além de determinar que o senador não mantivesse contato com Willer.

Este é um dos casos mais intrincados ligados a Flávio. O noticiário recente trouxe uma série de novos acontecimentos que aprofundam ainda mais as suspeitas de ilegalidade e corrupção.

A revista piauí revelou documentos que levaram a Polícia Federal a investigar se Flávio seria sócio oculto da BestBet, empresa de apostas da Rede Loto. A Cathedral, empresa de propriedade de Willer, é a única acionista dessa rede. A suspeita é de que Flávio seja sócio oculto do negócio. Ainda de acordo com a PF, as famílias de Flávio e Willer viajaram com passagens pagas pela Cathedral.

Além disso, PF apura por que Flávio figurava como “usuário master” (com amplos poderes) de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa ligada a Willer Tomaz e sediada na Ilha da Madeira (Portugal), considerado uma espécie de “paraíso fiscal”.

No dia 23, determinou o bloqueio de R$ 6 bilhões de Willer, além de uma ampla análise sobre os correntistas da empresa Alcazar Holdings. Na sequência, o banco Santander informou a PF que Flávio não constaria como usuário master da conta.

Dark Horse

Outro caso bastante conhecido do público é o suposto financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, pelo qual Flávio é investigado no STF por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

O uso da palavra “suposto” não é gratuito: até hoje não se sabe para que, de fato, Flávio pediu R$ 134 milhões para Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que se alimentava de fraudes inclusive com dinheiro público proveniente de servidores aposentados e pensionistas. Flávio, aliás, apresentou várias versões, todas mentirosas sobre este caso (e sobre outros também).

Desse total, Flávio recebeu ao menos R$ 60 milhões. Tanto o valor solicitado quanto o pago é considerado altíssimo para uma obra cinematográfica, principalmente de um filme que, tecnicamente, parece estar bem aquém de uma grande produção.

Uma das suspeitas é que esse dinheiro possa ter sido usado para outros fins — um deles, sustentar seu irmão, Eduardo Bolsonaro, enquanto ele fazia campanha contra o Brasil nos Estados Unidos.

Suspeitas em série

Flávio ainda é alvo de uma série de outros questionamentos sobre situações bastante suspeitas.

Também por meio da revista piauí, veio à tona recentemente a participação de Flávio (já como senador) numa festa, em 17 de julho de 2020 (ou seja, em plena pandemia), realizada em uma embarcação no Lago Paranoá, em Brasília, com empresários, lobistas e três garotas de programa. Willer Tomaz também estaria presente.

O evento teria sido promovido pelos empresários Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, ligados à Precisa Medicamentos, envolvida nas negociações da vacina Covaxin. Os empresários buscavam aproximação com o governo Jair Bolsonaro para viabilizar negócios, incluindo o fornecimento de vacinas contra a Covid-19. 

Outra situação suspeita diz respeito à revelação, pelo ICL Notícias, de que uma empresa de Flávio e Carlos Bolsonaro (chamada Bravo Grafeno) compartilha endereço com pelo menos 16 empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e utiliza serviços contábeis prestados por um antigo sócio dele. O endereço é a sala 2601 do bloco D, do Edifício Connect Towers, em Águas Claras (DF). Uma dessas empresas pertencentes ao Careca, a Prospect, recebeu mais de R$ 204 milhões de nove entidades investigadas, segundo o relatório da CPMI do INSS.

Vale ainda destacar o que talvez seja o mais cruel de todos esses casos: o papel de Flávio que, na condição de advogado mas já exercendo o mandato de vereador, atuou para evitar que um policial, apontado como responsável pela morte da menina Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, com um tiro de fuzil.

O caso ganhou especial repercussão durante as eleições, quando o fato foi lembrado e a mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, esteve presente no último debate presidencial do segundo turno, realizado pela TV Globo.

Autor

Santana Oxente:: O MAIOR PORTAL DE NOTÍCIAS DO SERTÃO ALAGOANO

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