Surgimento de manchas de óleo completa um ano sem causa determinada
Força-tarefa em Alagoas tem se debruçado para avaliar os impactos na natureza
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Um ano se passou desde que as primeiras manchas de óleo cru chegaram ao litoral nordestino. Mas até agora não há origem oficialmente comprovada para o derrame que atingiu mais de mil pontos de praias no Nordeste e causou impactos nos animais, no turismo e nos ecossistemas. Em Alagoas, o monitoramento segue até 2021 com uma força-tarefa formada por 40 pesquisadores que vêm avaliando os prejuízos e possíveis soluções.
Apenas em Alagoas, mais de 2,5 toneladas de fragmentos de óleo, areia e sargaço contaminados foram retirados das praias de Alagoas, sendo 1,2 tonelada apenas de óleo. Desde o ano passado, o professor, pesquisador e doutor em Ciências Aquáticas, Emerson Soares, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) coordena a força-tarefa. Emerson afirma que mesmo durante a pandemia, os pesquisadores seguem se debruçando nas análises e têm investido em novas frentes de trabalho.
No mês de julho, novos fragmentos foram observados em algumas praias do Nordeste, no entanto, segundo o pesquisador, as manchas são “óleo velho”, ou seja, se desprenderam do fundo do mar e chegaram à costa.
“A gente continua fazendo as análises inclusive do óleo que apareceu no mês de julho, nós identificamos que era o mesmo óleo, com os mesmos componentes do ano passado, então não era óleo novo, era óleo antigo. Continuamos analisando a água, houve diminuição devido ao Covid-19, mas as análises persistem, mais lento, mas já fizemos pós Covid duas análises. A gente continua fazendo o monitoramento da qualidade da água, dos fragmentos que chegam e levamos para laboratório, temos um compromisso com o governo do Estado de fazer o monitoramento até 2021”, detalha o pesquisador.
Os impactos nos ecossistemas ainda precisam ser mensurados e entendidos, garante Emerson.
“É necessário continuar monitorando porque os efeitos desse óleo persistem no meio ambiente, de menor proporção, mas persistem. Em julho, por exemplo, quase um ano depois, o óleo tinha muito produto volatilizado, foi degradado, e o impacto desse óleo diminui, mas se ele está no oceano, como ele está ainda, e na areia ele tem o efeito, o potencial de dano nos organismos e é essa nova etapa que a gente vai trabalhar ”, diz
Agora o grupo de 40 pesquisadores tem atuado para destinar de forma menos agressiva os resíduos coletados no ano passado na costa alagoana.
“Apresentamos um novo projeto ao CNPq, onde vamos pegar o óleo recolhido ao aterro em Pilar e vamos fazer a biorremediação, para dar uma destinação, para esse óleo ser tratado com micro-organismos e com reações eletroquímicas para diminuir o potencial poluidor dele, para ser utilizado em outras vias em benefício da população. Além da biorremediação nós vamos fazer experimentos em laboratório onde vamos testar vários níveis de petróleo e seus efeitos nos organismos para a gente tentar propor um modelo de proteção dessas espécies, é uma questão preventiva, para que se tivermos outro derramamento a gente estar preparado, saber como agir. Temos 40 pesquisadores nesse edital”, pontua Soares.
ORIGEM
“A maior probabilidade e eu acredito nisso é que o óleo veio da Venezuela, já foi comprovado, participei de uma reunião com o comando naval, e comprova-se que o óleo é venezuelano, numa operação ship-to-ship, ou seja de embarcação para embarcação, embarcação sem transponder, houve alguma fuga nessa processo, alguma operação desastrada, esse óleo caiu na corrente sul-equatorial que gira no sentido anti-horário e vem bater na costa do Brasil, chegando no Brasil bateu nas correntes das Guianas e foi levado até o Maranhão e nas correntes brasileiras e atingiu o restante do litoral e foi descendo até a Bahia, contaminando mais de mil localidades, essa é a teoria com mais confiança sobre o que pode ter ocorrido.”
“Preparados”
O pesquisador não descarta uma nova ocorrência, tendo em vista que nem a origem nem a forma do derrame foi comprovadamente identificada. Soares defende uma “preparação” para acontecimentos como este. “Estamos atentos a isso porque não sabemos ainda a quantidade de fragmento que possa vir a chegar, a gente sabe que diminuiu que está diminuindo, mas a gente tem que se precaver, estamos numa etapa agora de se proteger, no Brasil todo para que façamos a detecção antes de ocorrer se for o caso. Minha avaliação é que a gente não está imune. Isso pode voltar ocorrer, há uma probabilidade e a gente precisa se preparar, fazer monitoramento para ser capaz de identificar”, diz.
Fonte: Tribuna Independente / Texto: Evellyn Pimentel