Crise na Fifa põe mulheres à frente da oposição a Infantino
Lise Klaveness e Laura McAllister assumem protagonismo na reação ao presidente da Fifa e ampliam debate sobre governança
Publicado 06/08/2026 17:53 | Editado 06/08/2026 18:04

Duas mulheres assumiram a linha de frente da maior crise enfrentada por Gianni Infantino desde que ele chegou à presidência da Fifa, em 2016. A norueguesa Lise Klaveness, presidente da Federação Norueguesa de Futebol, e a galesa Laura McAllister, vice-presidente da Uefa, lideram a reação ao dirigente após o fracasso da proposta de abrir a exploração comercial da Copa do Mundo ao capital privado.
A proposta previa a criação da Fifa Football Enterprises (FFE), empresa que permitiria a entrada de investimentos privados na exploração comercial dos principais torneios da entidade. A iniciativa provocou forte reação de federações e confederações, levando Infantino a recuar. Ainda assim, o desgaste político permaneceu e expôs fissuras na base de apoio do dirigente.
Leia também: Pressionado, Infantino desiste de abrir Copa do Mundo ao capital privado
A presença de Klaveness nesse movimento não surpreende. Primeira mulher a comandar a Federação Norueguesa de Futebol em seus 120 anos de história, a ex-jogadora, advogada e ex-juíza tornou-se uma das principais vozes em defesa dos direitos humanos no futebol ao criticar a realização da Copa do Catar, cobrar reparação aos trabalhadores migrantes e questionar a escolha da Arábia Saudita para sediar o Mundial de 2034.
Leia mais: Lise Klaveness: a mulher que mudou o comando do futebol norueguês
Ao lado de Klaveness está Laura McAllister, vice-presidente da Uefa. As duas são as únicas mulheres no Comitê Executivo da entidade europeia e passaram a concentrar as principais críticas à gestão de Infantino. Na avaliação de McAllister, a tentativa frustrada de criar a FFE apenas tornou visível uma crise de confiança que já vinha se acumulando dentro da Fifa. “Há sinais de que essa é uma questão que está chegando a um ponto crítico, se é que já não está.”
Segundo a dirigente, o desgaste da gestão Infantino vai além da proposta comercial e está relacionado a uma sucessão de decisões controversas envolvendo a condução política da entidade e do futebol internacional.
Ao explicar por que decidiu enfrentar a direção da Fifa ao lado de Klaveness, McAllister afirmou que ambas compartilham uma visão construída ao longo de suas trajetórias no futebol feminino, na qual o esporte deve preservar seus valores acima dos interesses econômicos. “Acho que, às vezes, as mulheres ficam menos presas aos aspectos comerciais do futebol e mais focadas no que o esporte realmente é.”
Hoje, apenas dez das 211 federações filiadas à Fifa são presididas por mulheres. Ainda assim, são justamente essas dirigentes que passaram a liderar a principal contestação à gestão de Infantino. Mais do que uma disputa em torno da FFE, a crise recolocou em debate temas como transparência, representatividade e os princípios que devem orientar a principal entidade do futebol mundial.




