Derrota de Trump nos EUA pode deixar Flávio Bolsonaro sem proteção
Com mais de 49 milhões de votos antecipados, eleições de meio mandato podem enfraquecer a extrema direita e colocar sob investigação o abrigo oferecido a Flávio Bolsonaro.
Publicado 31/10/2026 10:40 | Editado 31/10/2026 12:18

Depois da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no Brasil, agora é Donald Trump quem enfrenta a possibilidade de perder o controle do Congresso norte-americano. As midterms, eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para próxima terça-feira (3), já mobilizaram mais de 49 milhões de eleitores antecipadamente e podem impor um duro revés ao presidente republicano. O resultado também ameaça a proteção política oferecida ao filho de Jair Bolsonaro, que fugiu do Brasil após descumprir uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo dados do Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida, 49,5 milhões de norte-americanos haviam votado antecipadamente até sexta-feira (30), superando os 45,9 milhões registrados no mesmo período eleitoral de 2022. A mobilização evidencia a importância de uma disputa que pode alterar a correlação de forças em Washington e impor limites à agenda conservadora e autoritária de Trump.
Oposição cresce e Trump pode perder o controle do Congresso
Nas eleições serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas, permitindo que Trump governe com uma base parlamentar favorável às suas iniciativas.
Nos estados que registram a filiação partidária dos eleitores, os democratas representam aproximadamente 44% dos votos antecipados, contra 31% dos republicanos. Embora a vantagem não assegure uma vitória, já que parte significativa do eleitorado republicano costuma votar no dia da eleição, os números apontam uma mobilização expressiva da oposição.
O desgaste político de Trump também pesa na disputa. Pesquisa Reuters/Ipsos aponta aprovação de apenas 31%, o menor índice de seu atual mandato. Uma derrota republicana poderia dificultar a implementação de sua agenda e ampliar a fiscalização sobre as ações da Casa Branca.
O resultado interessa diretamente ao bolsonarismo brasileiro, que transformou Trump em seu principal aliado internacional e aposta na influência do republicano para confrontar as instituições democráticas do Brasil.
Fuga de Flávio pode virar alvo de investigação
Após a derrota para Lula e a saída do Brasil em descumprimento de uma ordem do STF, Flávio Bolsonaro encontrou abrigo nos braços de Trump, que concedeu a ele uma autorização temporária de permanência até outubro de 2027.
A proteção ao aliado bolsonarista, entretanto, já provoca reação democrata. Um grupo de 25 deputados cobrou explicações do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre o possível envolvimento de autoridades norte-americanas na viagem e na concessão da autorização de entrada no país
Os parlamentares questionam se integrantes do governo Trump tinham conhecimento das restrições impostas pelo STF, se participaram da organização da fuga e se houve articulação com autoridades estrangeiras. Também querem saber se recursos públicos foram utilizados para favorecer o senador.
A carta, liderada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, estabelece 13 de novembro como prazo para que o governo apresente esclarecimentos.
Maioria democrata pode apertar o cerco contra Flávio
Uma vitória democrata no Congresso pode abrir caminho para investigações sobre o favorecimento de Flávio Bolsonaro pelo governo Trump. Com o controle de comissões parlamentares, a oposição poderá convocar autoridades e exigir documentos sobre a autorização concedida ao senador.
Embora o Congresso não tenha poder para determinar sua deportação, a permissão humanitária de Flávio pode ser revista pelas autoridades migratórias. O resultado das urnas poderá, portanto, ampliar a pressão sobre a Casa Branca e expor eventuais irregularidades na proteção oferecida ao bolsonarista.
Bolsonarismo pode perder seu escudo internacional
A aliança entre Trump e os Bolsonaro, marcada por afinidades ideológicas e questionamentos aos resultados eleitorais, pode enfrentar um novo obstáculo. Uma derrota republicana enfraqueceria a sustentação parlamentar de Trump e ampliaria a fiscalização sobre suas decisões.
Para Flávio, que apostou na proteção do aliado norte-americano após a derrota para Lula, o cenário pode se complicar. As urnas não decidirão sua permanência nos EUA, mas poderão colocar sob investigação o abrigo oferecido pelo governo Trump.
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Com agências




