Dia da Mulher: profissionais da saúde relatam como é atuar em meio à pandemia da Covid-19

A campanha do Dia Internacional da Mulher, lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU), reforça o papel que as mulheres também possuem na linha de frente do combate à pandemia da Covid-19.
Com o tema “Mulheres na liderança: Alcançando um futuro igual em um mundo de COVID-19″, o dia oito de março deste ano celebra "os enormes esforços de mulheres e meninas em todo o mundo na construção de um futuro mais igualitário e na recuperação da pandemia”.
“A vacina foi o renascimento”
Vera Moreira, 60 anos, é a responsável pelo setor de processamento de roupa do Hospital da Mulher, em Maceió. Ela foi a primeira servidora do HM a ser vacinada nas dependências da unidade e conta que a sensação de receber o imunizante foi como renascer. “É uma sensação indiscutível. Foi como um turbilhão de emoções, que não dá para descrever”, descreve.
Vera conta que, por ser portadora de uma patologia autoimune, não pôde atuar diretamente na linha de frente durante os primeiros meses da pandemia e voltou ao trabalho presencial apenas em setembro. Ela chegou, enquanto estava em casa, a trabalhar em três lugares diferentes.
“Não tinha hora para entrar ou sair e, por causa disso, comecei a desencadear crises de pânico e precisei recuar na carga horária, até o momento em que voltei ao HM, em setembro”, relatou, acrescentando que ouve diariamente relatos dos profissionais que têm contato direto com os pacientes com Covid-19, já que seu setor não requer que ela vá diretamente aos leitos.

Para Vera, o fato de ser uma mulher atuando na linha de frente contra a Covid-19 é motivo de orgulho, mas acredita que, por ser mulher, naturalmente já possui uma carga maior em relação aos seus colegas homens.
“Principalmente para mulheres trabalhadoras e mães solo, como eu sou, há uma carga emocional muito grande”, ela se emociona ao dizer.
“Depois de tantas coisas que vivemos e vimos, é uma sensação gratificante, mesmo com todos os riscos que nosso papel traz, de trabalhar num hospital que é referência no combate à Covid-19”, finalizou.
Gratidão
Para a Cabo Karina, 43 anos, a pandemia é um momento difícil desde o início. “A cada acionamento, colocávamos os equipamentos de proteção e íamos para as ocorrências pensando, principalmente, nos nossos familiares”.
Ela conta que, a todo o momento, ficava insegura em relação à própria segurança – e, consequentemente, a da família. “Quando nós entrávamos em algum hospital, a gente se perguntava se seríamos infectados, se poderíamos contaminar alguém da família”.
Karina relata que muitos bombeiros ficaram abalados psicologicamente a princípio, mas que, com o passar dos dias, foram se acostumando à nova rotina.
“O momento mais marcante em meio a tudo isso foi quando uma companheira nossa, a Cabo Suzan, que estava grávida, apresentou os sintomas da Covid-19 de maneira que evoluiu e veio a falecer... Acompanhamos cada dia da sua angústia desde sua chegada ao hospital até o momento que foi para a UTI e não voltou mais”, lamentou.

Cuidar do lar é uma missão a mais para as mulheres, destaca, “mas tivemos que redobrar nosso cuidado com nossos filhos, nossos pais e nossa casa... Muitas dispensaram suas funcionárias e assumiram mais esse papel para poder preservar ainda mais seus entes queridos”.
“Não desmerecemos a importância dos nossos companheiros, mas muitas de nós precisaram assumir também a responsabilidade e o compromisso com os horários das aulas online mesmo cumprindo uma escala de serviço”, falou.
Em relação ao papel de sua profissão durante a pandemia, ela diz que se sente “um instrumento de Deus para ser usada nessa batalha e muito grata a Ele por nos manter de pé”.
Dupla jornada
Carla Cristiane Melo é enfermeira e socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Alagoas há 16 anos. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, atuou incansavelmente na linha de frente, fazendo atendimentos em domicílios e transferências intra-hospitalares diariamente.
“Minha rotina de trabalho mudou, fui pega de surpresa. Tive que me adaptar a um novo desafio. Nossos EPIs tão desconfortáveis, geram dor, exaustão, calor, desidratação. Mas com a esperança que podemos dar conta, de prestar assistência a esses pacientes tão fragilizados”, afirmou.

De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), somente no primeiro bimestre deste ano, o Samu já realizou 1.405 atendimentos de pacientes suspeitos ou contaminados pelo novo coronavírus. Em janeiro, foram registradas 650 ocorrências, e, em fevereiro, o número subiu para 755 chamados.
Com um fluxo intenso de trabalho, com alto risco de contaminação e transmissão, Carla relata que sua maior preocupação é que seus familiares não sejam infectados. Ela afirma que, junto a isso, vem uma carga secundária de responsabilidades domésticas para administrar.
“Nós, mulheres, temos dupla jornada de trabalho, na qual damos conta das tarefas do trabalho e de casa”, destacou.
Segundo a socorrista, todos os profissionais que compõem a linha de frente da pandemia estão esgotados. No entanto, os sentimentos de orgulho e gratidão por poder contribuir para o salvamento de vidas dão força para continuar lutando.
“Meu dever é cuidar daquele que precisa dos meus cuidados. À população, peço que fiquem em casa e usem máscaras. Vamos vencer essa batalha!”, concluiu.
Situações inesperadas
Para a médica e diretora do Hospital José Augusto (de São Luis do Quitunde), Paulette Farias Eckert, a sua experiência atuando na linha de frente da pandemia, na primeira e nessa segunda onda, pode ser definida como “assustadora”.
Por trabalhar no atendimento a pacientes com síndrome gripal, se viu diante de situações inesperadas. De acordo com o seu relato, pessoas chegam com sintomas leves e rapidamente pioram e perdem a capacidade respiratória.
“Uns dizem não sentir nada, mesmo testando positivo; outros testam negativo, mas relatam sentir todos os sintomas”, relatou.

Durante a intensa rotina de atendimentos, a médica acabou contraindo a Covid-19. “Eu tive muito medo de precisar ir para a UTI e desenvolver sequelas. Tive medo de ficar impossibilitada de exercer minhas atividades laborais”, afirmou.
Passado o período de recuperação, ela logo retomou os atendimentos hospitalares. “Como profissional da área da saúde, fico muito feliz em poder atuar no combate dessa pandemia e contribuir salvando vidas”.
*Estagiários sob supervisão da editoria

A campanha do Dia Internacional da Mulher, lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU), reforça o papel que as mulheres também possuem na linha de frente do combate à pandemia da Covid-19.
Com o tema “Mulheres na liderança: Alcançando um futuro igual em um mundo de COVID-19″, o dia oito de março deste ano celebra "os enormes esforços de mulheres e meninas em todo o mundo na construção de um futuro mais igualitário e na recuperação da pandemia”.
“A vacina foi o renascimento”
Vera Moreira, 60 anos, é a responsável pelo setor de processamento de roupa do Hospital da Mulher, em Maceió. Ela foi a primeira servidora do HM a ser vacinada nas dependências da unidade e conta que a sensação de receber o imunizante foi como renascer. “É uma sensação indiscutível. Foi como um turbilhão de emoções, que não dá para descrever”, descreve.
Vera conta que, por ser portadora de uma patologia autoimune, não pôde atuar diretamente na linha de frente durante os primeiros meses da pandemia e voltou ao trabalho presencial apenas em setembro. Ela chegou, enquanto estava em casa, a trabalhar em três lugares diferentes.
“Não tinha hora para entrar ou sair e, por causa disso, comecei a desencadear crises de pânico e precisei recuar na carga horária, até o momento em que voltei ao HM, em setembro”, relatou, acrescentando que ouve diariamente relatos dos profissionais que têm contato direto com os pacientes com Covid-19, já que seu setor não requer que ela vá diretamente aos leitos.

Para Vera, o fato de ser uma mulher atuando na linha de frente contra a Covid-19 é motivo de orgulho, mas acredita que, por ser mulher, naturalmente já possui uma carga maior em relação aos seus colegas homens.
“Principalmente para mulheres trabalhadoras e mães solo, como eu sou, há uma carga emocional muito grande”, ela se emociona ao dizer.
“Depois de tantas coisas que vivemos e vimos, é uma sensação gratificante, mesmo com todos os riscos que nosso papel traz, de trabalhar num hospital que é referência no combate à Covid-19”, finalizou.
Gratidão
Para a Cabo Karina, 43 anos, a pandemia é um momento difícil desde o início. “A cada acionamento, colocávamos os equipamentos de proteção e íamos para as ocorrências pensando, principalmente, nos nossos familiares”.
Ela conta que, a todo o momento, ficava insegura em relação à própria segurança – e, consequentemente, a da família. “Quando nós entrávamos em algum hospital, a gente se perguntava se seríamos infectados, se poderíamos contaminar alguém da família”.
Karina relata que muitos bombeiros ficaram abalados psicologicamente a princípio, mas que, com o passar dos dias, foram se acostumando à nova rotina.
“O momento mais marcante em meio a tudo isso foi quando uma companheira nossa, a Cabo Suzan, que estava grávida, apresentou os sintomas da Covid-19 de maneira que evoluiu e veio a falecer... Acompanhamos cada dia da sua angústia desde sua chegada ao hospital até o momento que foi para a UTI e não voltou mais”, lamentou.

Cuidar do lar é uma missão a mais para as mulheres, destaca, “mas tivemos que redobrar nosso cuidado com nossos filhos, nossos pais e nossa casa... Muitas dispensaram suas funcionárias e assumiram mais esse papel para poder preservar ainda mais seus entes queridos”.
“Não desmerecemos a importância dos nossos companheiros, mas muitas de nós precisaram assumir também a responsabilidade e o compromisso com os horários das aulas online mesmo cumprindo uma escala de serviço”, falou.
Em relação ao papel de sua profissão durante a pandemia, ela diz que se sente “um instrumento de Deus para ser usada nessa batalha e muito grata a Ele por nos manter de pé”.
Dupla jornada
Carla Cristiane Melo é enfermeira e socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Alagoas há 16 anos. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, atuou incansavelmente na linha de frente, fazendo atendimentos em domicílios e transferências intra-hospitalares diariamente.
“Minha rotina de trabalho mudou, fui pega de surpresa. Tive que me adaptar a um novo desafio. Nossos EPIs tão desconfortáveis, geram dor, exaustão, calor, desidratação. Mas com a esperança que podemos dar conta, de prestar assistência a esses pacientes tão fragilizados”, afirmou.

De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), somente no primeiro bimestre deste ano, o Samu já realizou 1.405 atendimentos de pacientes suspeitos ou contaminados pelo novo coronavírus. Em janeiro, foram registradas 650 ocorrências, e, em fevereiro, o número subiu para 755 chamados.
Com um fluxo intenso de trabalho, com alto risco de contaminação e transmissão, Carla relata que sua maior preocupação é que seus familiares não sejam infectados. Ela afirma que, junto a isso, vem uma carga secundária de responsabilidades domésticas para administrar.
“Nós, mulheres, temos dupla jornada de trabalho, na qual damos conta das tarefas do trabalho e de casa”, destacou.
Segundo a socorrista, todos os profissionais que compõem a linha de frente da pandemia estão esgotados. No entanto, os sentimentos de orgulho e gratidão por poder contribuir para o salvamento de vidas dão força para continuar lutando.
“Meu dever é cuidar daquele que precisa dos meus cuidados. À população, peço que fiquem em casa e usem máscaras. Vamos vencer essa batalha!”, concluiu.
Situações inesperadas
Para a médica e diretora do Hospital José Augusto (de São Luis do Quitunde), Paulette Farias Eckert, a sua experiência atuando na linha de frente da pandemia, na primeira e nessa segunda onda, pode ser definida como “assustadora”.
Por trabalhar no atendimento a pacientes com síndrome gripal, se viu diante de situações inesperadas. De acordo com o seu relato, pessoas chegam com sintomas leves e rapidamente pioram e perdem a capacidade respiratória.
“Uns dizem não sentir nada, mesmo testando positivo; outros testam negativo, mas relatam sentir todos os sintomas”, relatou.

Durante a intensa rotina de atendimentos, a médica acabou contraindo a Covid-19. “Eu tive muito medo de precisar ir para a UTI e desenvolver sequelas. Tive medo de ficar impossibilitada de exercer minhas atividades laborais”, afirmou.
Passado o período de recuperação, ela logo retomou os atendimentos hospitalares. “Como profissional da área da saúde, fico muito feliz em poder atuar no combate dessa pandemia e contribuir salvando vidas”.
*Estagiários sob supervisão da editoria




