Máfia da Pedofilia é investigada por suposta participação em assassinatos em Arapiraca
Senador Magno Malta diz que 'nesse mato tem mais coelho'
por Wadson Correia
As supostas denúncias de crimes de pedofilia envolvendo os monsenhores Luiz Marques Barbosa, Raimundo Gomes Nascimento e o padre Edilson Duarte em Arapiraca, distante 130 km de Maceió, tem levado a polícia a uma série de novos casos.
As investigações são feitas pelas delegadas Barbara Arraes e Maria Angelita que têm ouvido mais relatos de jovens que teriam sido vítimas do esquema que começou a ser investigado após denuncias feitas por um grupo de ex-coroinhas de paróquias da cidade de Arapiraca.
Cícero Flávio Vieira Barbosa, 22, ex-coroinha e que se diz vítima dos religiosos relatou ao CadaMinuto detalhes de como era obrigado a manter relações sexuais com um dos padres.
“Durante nove anos eu era assediado e molestado pelo Monsenhor Luiz Marques Barbosa. Toda minha vida eu sempre quis dedicar minha vida a igreja porque minha família sempre foi católica só que quando eu descobri que o Monsenhor Luiz era um padre disfarçado na batina eu fiquei muito chocado e hoje me sinto abalado pelo que esta acontecendo, principalmente por as pessoas ‘enxergarem’ que ele é santo”.
O jovem foi enfático ao dizer que se sente ameaçado após ter feitos as denuncias.
“Me sinto ameaçado e eu não sei até que ponto isso vai chegar. Eu denunciei tudo por justiça, mas eu não sei qual vai ser a justiça deles”.
Mas para a surpresa do próprio jovem suas declarações ainda não foram tomadas pelas delegadas que informaram que estão analisando algumas informações que podem estender as investigações nas cidades de Feira Grande, Caraíbas, Anadia e Penedo, no Baixo São Francisco.
Outra suposta vítima, Fabiano da Silva Ferreira, 20, ouvido inicialmente pelo procurador da República em Alagoas, Rodrigo Tenório revelou detalhes de como aconteceram às filmagens que comprovam as relações sexuais mantidas pelos religiosos com os jovens, na época coroinhas.
“Além de mim, tinha o Flávio e outro coroinha que eram obrigados a praticar sexo com o Monsenhor Luiz Marques”.
O depoimento foi encaminhado ao Ministério Público Estadual – MPE/AL que determinou a Secretaria de Defesa Social que abrisse um inquérito policial sobre o caso, somente assim Fabiano foi ouvido pelas delegadas Bárbara e Angelita e revelou em depoimento outros detalhes do esquema.
Ontem, senadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito da Pedofilia, votaram um requerimento aprovando a ida dos parlamentares até Arapiraca. O motivo, segundo avaliou o senador Moroni Torgan, presidente da CPI, foi o aumento das denuncias e o envolvimento de padres, empresários e até políticos no esquema criminoso. O senador foi enfático ontem ao afirmar que pretende também ouvir o Ministério Público pois, segundo ele, “esse mato tem mais coelho”. O Vaticano, que reconheceu a existências das denúncias, também irá indicar um representante para vim a Alagoas ouvir os religiosos acusados na chamada Máfia da Pedofilia. O senador José Nery (PSOL-PA) deverá acompanhar os depoimentos. Ele vai contar com a ajuda da Polícia Federal que irá ajudar nas investigações preliminares.
Durante à tarde de ontem, quinta-feira (18), a polícia recebeu uma informação que pode ainda mais complicar a situação dos religiosos envolvidos na já denominada Máfia da Pedofilia.
A morte do motorista Marcos Antônio que aconteceu há três anos num acidente automobilístico nas proximidades da cidade de São Sebastião pode ser re-investigada.
No dia da morte a vítima dirigia uma meia caminhoneta que bateu em animais que estavam supostamente soltos em um dos trechos da AL-102. A polícia já sabe que Marcos Antônio também era obrigado a manter relações sexuais com o Monsenhor Luiz Marques Barbosa, que chegou a pagar as mensalidades da escola – Colégio Normal São Francisco de Assis, onde o jovem estudava.
Maikon, como era conhecido, teria discutido dias antes de morrer com o religioso que havia descoberto que ele estava prestes a se casar com uma jovem, fato que o Monsenhor não aceitava. A informação é que durante a briga o religioso teria feito ameaças de morte ao jovem, fato que até agora não se sabe se é ou não verdadeiro.
Outro caso que também chegou ao conhecimento da polícia envolve o Monsenhor Raimundo Gomes Nascimento, que teve um carro, de marca Polo, supostamente roubado em uma rua do bairro Santa Esmeralda, em Arapiraca. A polícia quer saber por que o roubo foi registrado mais de 4 horas após o assalto. Também chegou ao conhecimento da polícia, o que causou surpresa, que o suposto assaltante não teria levado uma volta de ouro que estava no pescoço do religioso.
Apesar de não querer confirmar mais detalhes sobre as denuncias cujo o inquérito segue em segredo de Justiça, a delegada Bárbara Arraes, deve ouvir nos próximos dias um motorista conhecido pelo nome de John Carlos, que trabalhava para o Monsenhor.
Ele seria uma suposta peça chave para esclarecer o assassinato do sargento PM Valmir Tavares da Silva, 42, assassinado a tiros nas proximidades do Hospital Santa Maria, no Centro de Arapiraca. Um cabo PM identificado como Arenilton, que estava no mesmo veículo que o sargento, ficou ferido e foi encaminhado à Unidade de Emergência do Agreste.
No momento do crime, Valmir estava em um Eco Sport, de cor branca e placa MUS 5105/AL quando foi abordado e atingido por diversos tiros deflagrados por dois homens armados. A vítima trabalhava no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, em Maceió e possuía uma empresa de segurança, com sede em Arapiraca e mantinha relações com o Monsenhor Raimundo Gomes e o motorista John Carlos.
A reportagem do CadaMinuto esteve na noite da quarta-feira (17) no condomínio Ouro Verde, em Arapiraca, local fechado que conta com um grupo de segurança privada, onde o Monsenhor Raimundo possui uma casa. No local, várias pessoas de classe média alta, se preparavam para participar da liturgia da palavra, que deveria ser celebrada pelo próprio religioso por volta das 22hs.
No local, mostrando desconfiança e um clima arredio, algumas pessoas tentaram impedir a reportagem, perseguindo por alguns minutos o carro de reportagem. Já os seguranças do condomínio afirmaram que o Monsenhor segue sua rotina normal, chegando a sair do local dirigindo seu próprio carro. Apesar do bispo Dom Valério Breda anunciar que todos os religiosos foram afastados de suas funções, Monsenhor Raimundo tem freqüentado a igreja de Nossa Senhora do Carmo, a qual ele era pároco.
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