Maior bloco de rua de Alagoas desfila sábado
Com novo estandarte e ao som de clarins, Pinto da Madrugada domina folia
Luana Nunes
Adailson Calheiros
Bloco Pinto da madrugada comemora 10 anos e desfila novidades nas prévias de Maceió
Os foliões Marcial Lima, Hermann Braga, Eduardo Lyra e Marcos Davi são os principais responsáveis por levar à orla de Maceió o maior bloco de rua do Estado de Alagoas. Tendo como padrinho o Galo da Madrugada — considerado o maior bloco de rua do mundo — o Pinto da Madrugada surgiu com a proposta de mostrar que Carnaval é uma festa aberta e acessível a todos. A intenção dos idealizadores do Pinto da Mardugada é fazer com que os alagoanos nunca percam a essência das folias de Momo. Mas o diferencial do Pinto é a quantidade de músicos que estão espalhados no chão durante todo o seu trajeto, tocando todos de uma só vez.
Este ano, o bloco comemora o aniversário de dez anos e o felizardo é sempre o folião. Segundo o diretor e mentor do bloco, Marcial Lima, uma das surpresas para comemorar a chegada de uma década do Pinto é o novo estandarte do bloco, o boneco gigante do radialista Edécio Lopes, falecido em 2008, e os 15 músicos de Olinda (PE) tocando clarins. Neste sábado, 6 de fevereiro, a partir das 6h, a orla da pajuçara será sede de uma das melhores prévias carnavalescas dos últimos anos.
Serão mais de 110 músicos, divididos em 16 bandas que virão de várias partes do Estado, entre elas Santa Luzia do Norte, Marechal Deodoro, Coqueiro Seco, Quebrangulo e a tradicional banda Vulcão da Políciais Militar de Alagoas. Todos eles estarão espalhados ao longo do bloco, que desde o seu primeiro desfile, em 2000, é realizado sem corda, mas com camisa para criar um certo vínculo entre o folião e o Pinto da Madrugada. A Pintoca, o carro abre-alas, puxará os foliões com músicas cantadas por cabos da PM e o coral do Instituto Federal de Alagoas, o Coretfal.
“Potencial o Estado de Alagoas tem para levar blocos assim para as vias públicas. Carnaval não é resgatar, mas sim trazer o passado animado para o nosso presente. A alma carnavalesca deve ser coletiva e estar acessa em todos os foliões”, destacou Marcial Lima
O começo — Eram seis horas da manhã quando pessoas de todas as idades reuniram-se, em direção à praia da Pajuçara, para não perder a primeira concentração do bloco. Este primeiro encontro que antecede o desfile foi animado pelos Seresteiros da Pitanguinha, conhecido e aclamado grupo de músicos amadores. O desfile tão esperado pelos 5 mil foliões daquele sábado ensolarado foi animado pelo maestro Manezinho e conduzido pela banda Vulcão da Polícia Militar de Alagoas.
A partir daí, o Pinto da Madrugada tem crescido e conquistado cada vez mais alagoanos, pernambucanos e turistas que visitam Maceió e foliões de todas as faixas etárias que vão para as ruas atraídos pelas autênticas marchinhas de frevo. “Os nossos primeiros frequentadores foram aquelas pessoas que caminhavam diariamente pela orla da capital e tinham entre 30 e 40 anos de idade. Hoje, nós temos crianças, adultos e idosos”, ressaltou Marcial Lima.
O bloco, que caiu no gosto o povo, teve o prestígio de receber em sua Cerimônia de Batizado pelo menos cinco ilustres foliões pernambucanos, entre eles, o ex-ministro e ex-prefeito do Recife, Gustavo Krause, e o fundador do Galo da Madrugada, Eneias Freire. “Lembro-me, como se fosse hoje, quando cheguei para convidar Krause para o batizado do bloco e ele estava numa reunião. Fui até ele e disse que depois voltava, mas ele olhou pra mim e falou: fique aqui e vamos falar do Pinto da Madrugada, porque, para mim, Carnaval é coisa séria”, relembrou Lima.
A cada ano que passa, os quatro idealizadores aprimoram as ideias que existem e inovam com temas criativos. A Comenda da Ordem do Pinto já premiou vários carnavalescos consagrados de Alagoas, a exemplo do folião Prego, do radialista Edécio Lopes e do próprio Manezinho — sua esposa, dona Pompéia, foi eleita a primeira comendadora do bloco Pinto da Madrugada, em 2006.
A prova do crescimento do bloco, que já virou tradição, é o elevado número de foliões que foi registrado pela Polícia Militar em seu terceiro desfile, mais de 25 mil pessoas, o que já consagra o bloco, não só como o maior de Alagoas, mas também o terceiro maior bloco de rua do Brasil. “A nossa ideia foi se concretizando com o passar dos anos, e o nosso pensamento era criar uma grande comunhão festiva, onde todos pudessem brincar livremente, sentindo-se à vontade e acolhidos pelo Pinto”, frisou Marcial Lima.
Durante o mês que antecede o Carnaval, os organizadores promovem reuniões para acertar os últimos detalhes e definir as datas para a realização da oficina do frevo e do tão esperado pelos foliões Mungunzá do Pinto.
Se você se interessou em participar do maior bloco de rua — sem corda — de Alagoas, adiquira seu camisa por R$ 30,00 e caia na folia ao som suave dos clarins pernambucanos, da orquestra de frevo dos Policiais Militares de Alagoas e do Coretfal.
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