Grave crise ameaça gestão de James Ribeiro
São muito graves as denuncias assacadas contra o prefeito. Funcionários querem direitos preservados
A prefeitura de Palmeira dos Índios está a um passo da intervenção caso as autoridades estaduais e federais se decidam pela investigação de uma série de denúncias de enriquecimento ilícito do prefeito e de alguns dos seus assessores, do não pagamento de salários atrasados de funcionários em compromisso firmado com a chancela do Ministério Público e da supressão de serviços insubstituíveis como salário de professores e transporte escolar bem como o pagamento de fornecedores.
São muito graves às denuncias continuamente assacadas contra o prefeito. A ele são atribuídas a compra de vários imóveis de alto valor. Secretários mais íntimos são responsabilizados pela construção inexplicável de prédios; transações de favorecimento ilícito e mordomias. Funcionários se queixam de clima de repressão e ameaça de perda de emprego caso falem do que estão sabendo. O salário de professores e o transporte escolar estariam sendo progressivamente suprimidos enquanto a prefeitura recusa explicar ou dialogar com as vítimas. O ponto mais grave desta situação ocorreu esta semana quando James Ribeiro anunciou a demissão virtual de todos os secretários e de considerável numero de cargos comissionados caso estes funcionários mais graduados não abram mão do seu salário por três meses seguidos para permitir a formação de caixa.
A acusação principal feita ao prefeito, na parte referente aos serviços públicos, é de que a arrecadação local assim como os repasses transferidos à prefeitura não sofreram decréscimo. Ao longo do ano a imprensa publicou os números da ajuda financeira do governo federal aos municípios prejudicados com as medidas de isenção fiscal mostrando que Palmeira dos Índios não estava incluída entre eles porque não tinha sofrido prejuízos com as medidas. Como justificar então as medidas arbitrárias do chefe do Executivo?
Um clima de surpresa começa a dominar o ambiente político. No final da semana era comum a pergunta a respeito da reação na Câmara Municipal. Composta por 10 vereadores, e atualmente em recesso parlamentar, a Câmara mantém-se em sigilo como se desconhecesse o que está se passando no poder executivo. Mesmo o orçamento deste ano, aumentado em 40% em relação aos valores do ano anterior, e sob exame do legislativo, não foi questionado a respeito de uma série de problemas financeiros atualmente ainda pendentes como o pagamento dos salários atrasados que deviam constar do documento.
MEDIDAS RECENTES
No rol das medidas recentes, tomadas esta semana, o prefeito, além dos secretários sob demissão virtual, teria demitido 32 servidores comissionados e cancelado contratos com carros agregados, inclusive os que transportam alunos da zona rural. Também suspendeu a prestação de serviços emergenciais e o pagamento de diversos credores. “Ninguém quer vender fiado mais a prefeitura. Está crescendo o numero de comerciantes que tem levado calote” – diz um lojista local. E completa: “nunca na história política de Palmeira dos Índios aconteceu o que está acontecendo agora. Chico do Pulo (alcunha pela qual era conhecido o deputado Francisco Pimentel) destruiu a imagem do pai, Minervo Pimentel e agora a histórias se repete com James Ribeiro destruindo a imagem do pai, Helenildo Ribeiro”.
Entre as críticas mais constantes ao prefeito está a de que ele é contraditório por incompetência e não por cálculo. Apesar de queixar-se constantemente de que a prefeitura está sem dinheiro, James aumentou em 300% o subsídio dos seus assessores. Cada um deles tem ainda direito a mordomias como carro agregado no valor de l.500 reais e motorista com tempo integral. Como alegar então que não pode pagar a folha salarial de dezembro de 2008, promessa feita sob documento ao Ministério Publico Estadual? Igualmente como pode contratar prestadores de serviços – a maioria garis – que deveria receber 200 reais por mês ( o que é ilegal) e mesmo assim passar três meses sem pagá-los? Contra isso há a denúncia de que mesmo assim estes trabalhadores – que receberiam seus salários das mãos de um funcionário pessoalmente – são ameaçados de demissão caso confirmem a ilegalidade de que estão sendo vítimas.
| 