Jornalista vítima de atentado emite nota de esclarecimento
08h05, 14 de dezembro de 2009
Cláudia Galvão
Carlos Alberto Junior foi ferido com vários tiros no Henrique EquelmanO jornalista Carlos Alberto Junior, de 36 anos, vítima de uma tentativa de homicídio ocorrida na última sexta-feira, dia 11, liberou neste domingo uma nota esclarecendo como se deu o crime.
O jornalista segue internado no Hospital Geral do Estado, onde foi submetido à cirurgia após ser atingido por três disparos (cabeça, braço e fígado), ainda sem previsão de alta médica, mas seu estado geral é considerado bom. De acordo com a assessoria de comunicação da unidade de saúde, um novo boletim deverá ser emitido após às 10h.
Carlos Alberto foi abordado por elementos não identificados quando seguia para o terminal de ônibus do Henrique Equelman, onde reside com a avó. Segundo o próprio jornalista, ele teria sido alvo de um crime de ‘queima de arquivo’.
Segue a nota escrita pelo jornalista e divulgada neste domingo pelo portal Maceió40graus, onde o jornalista ocupa a função de editor-geral.
Nota de esclarecimento
“Na última sexta-feira, 11, por volta das 7h15m, saí de casa rumo a mais um dia de labuta quando fui vítima da pior das violências, a traição covarde.
Por estar ouvindo meu aparelho MP4 não ouvi o primeiro disparo, apenas senti-o, na cabeça. O desespero em ver meu próprio sangue jorrando fez-me gritar desesperado especialmente ao ver o bandido aproximar-se, certeiro em aniquilar-me. Minha primeira defesa foi minha pasta de trabalho, rasgada pelos disparos. Porém, não tenho dúvidas, meu maior escudo, como sempre, foi meu Deus, meu Pai maior, de quem nunca duvidei do poder, da onipresença e onipotência. O poder de Deus salvou-me dos covardes, dos fracos.
Não sei ao certo quantos eram no carro, mas vi apenas o atirador, de cujas fúnebres feições faço questão de não lembrar. A justiça dos homens está acionada e trabalha para elucidar este intrigante caso de “queima” de arquivo, do qual fui vítima, aliás, ainda estou sendo, juntamente com minha família e meus fiéis bons amigos, entre homens e mulheres.
Confesso não saber que sou tão querido por todos vocês. Em vários momentos cheguei às lágrimas de sexta-feira até o momento em que escrevo, emocionado, estas palavras, este depoimento. Sempre agradeço a presença de várias pessoas na minha vida, apesar dos solavancos que o destino coloca a nossa frente, geralmente como desafio. Por isso agradeço neste momento a todos os meus familiares, pai, mãe, irmãos e irmã pela atenção, sem esquecer também dos meus amigos, jornalistas ou não, que demonstraram indignação com o ocorrido.
Aproveito o momento também para esclarecer que ao contrário do noticiado em alguns veículos de comunicação (parece brincadeira, mas acabei sendo vítima de injúria e difamação), a tentativa de homicídio por mim sofrida nada tem a ver com minha vida íntima, a qual é muito bem centrada, resolvida e de interesse apenas de quem eu queira. Lamento por eu ser testemunha e vítima do despreparo e fútil preconceito de alguns colegas de imprensa. A vocês, só me resta dizer, respeitem as vidas, pessoas de quem vocês não conhecem.
Graças a Deus, mais uma vez, estou vivo, quase são e pessoalmente tratarei das inverdades publicadas e postadas a meu respeito em decorrência da tentativa de assassinato de um jornalista que quer, apenas, deixar seu nome marcado na imprensa alagoana,por sua competência, por buscar sempre a verdade dos fatos e nunca desmerecer o ser humano.
Maceió, 13 de dezembro de 2009.
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