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Quase metade das detentas do Santa Luzia são presas por tráfico de drogas Data: 29 Out 2009 / Autor: santana / Categoria: Destaques da semana}

Quase metade das detentas do Santa Luzia são presas por tráfico de drogas
Após morte de maridos elas passam ao comando

por Emanuelle Oliveira




O número de mulheres presas por tráfico de drogas vem aumentando nos últimos anos em Alagoas e esse já é o crime mais cometido pelo sexo feminino. Atualmente, o Presídio Feminino Santa Luzia conta com 95 reeducadas, embora tenha capacidade para 75 e apenas dois módulos. Destas, 40 foram presas por envolvimento com drogas, ou seja, aproximadamente 42% das detentas.

A maioria ainda age como ‘mula’, transportando a droga para os presídios, devido à quantias paga por usuários e traficantes ou levando para seus companheiros. Mas, algumas dão continuidade ao negócio, após a morte ou prisão deles ou atuam de forma independente, ampliando sua rede e seduzindo amigas e vizinhas com a ilusão de lucro rápido e fácil. Existem ainda, aquelas que buscam garantir necessidades que o Estado não supre e vitimadas pelo desemprego e a falta de perpectivas sociais entram para o tráfico.

Dados nacionais revelam que enquanto o índice de criminalidade entre os homens cresceu 4%, entre as mulheres aumentou 11%”, já que elas estão deixando crimes contra o patrimônio e indo para o comércio de drogas, onde a rentabilidade é maior. O desemprego e a falta de perspectivas também é responsável pela entrada no tráfico. No Estado há dois anos havia 877 homens presos provisoriamente e apenas 53 presas na mesma situação. No regime privado, eram 267 homens e somente 5 mulheres; no semi-aberto, 270 homens e nenhuma mulher; no regime aberto, 13 homens e nenhuma mulher.

A diretora do presídio Santa Luzia, Fernanda Aranda explicou que a proporção de mulheres presas por tráfico é pequena, em relação aos homens e que drogas como o crack e a maconha são as mais comercializadas e consumidas por elas, apesar da proibição e da revista íntima das visitas.

“Elas usam a droga entre si mesmas. Fazemos revista íntima, mas o que dificulta o trabalho é não contarmos com aparelhos de raio-x. As mulheres deixaram de entrar no ramo apenas por levarem drogas para os maridos ou companheiros, servindo como mulas. Pelos indícios, já existem algumas que fazem parte do comando de organizações criminosas do tráfico”, contou a diretora.

Fernanda ressaltou que o tráfico de drogas se tornou um problema social e que a falta de tratamento para desintoxicação e perspectivas de emprego, quando elas saem da prisão, aumentam as chances de voltarem a cometer o crime. “Por termos dois módulos, a convivência também transforma quem não é viciada em usuária”, afirmou Fernanda Aranda.

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