Obama: fechar Guantânamo e sair do Iraque 'restaura' moral
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu no domingo (16) à noite a retirada das tropas do Iraque, o fim da al-Qaida no Afeganistão e o fechamento do campo de concentração da base ilegal de Guantânamo, em uma ruptura com a política externa de George W. Bush.
Obama disse que vai cumprir as promessas que fez na campanha, muitas delas recebidas com satisfação pelos aliados dos Estados Unidos, mas não se aprofundou em como concretizará as medidas, em sua primeira grande entrevista depois de ter sido eleito, no programa "60 Minutes" do canal CBS.
Obama destacou que a prioridade de seu governo, que começa em 20 de janeiro de 2009, será a economia, que se afunda em uma grave crise.
"Assim que assumir o cargo, convocarei meus chefes de gabinete adjuntos, meu aparato de segurança nacional, e começaremos a executar o plano para reduzir as tropas no Iraque", declarou.
Reforço no Afeganistão
"Particularmente à luz dos problemas que estamos tendo no Afeganistão, que continuam se agravando. Temos que sustentar estes esforços", acrescentou Obama, que admitiu ter se reunido com a ex-primeira-dama Hillary Clinton, mas se recusou a confirmar os boatos deque ela pode ser secretária de Estado.
Durante a campanha, Obama prometeu retirar do Iraque uma ou duas brigadas de combate por mês até que, 16 meses mais tarde, o país árabe contasse com uma força de segurança reduzida. Algumas destas tropas seriam deslocadas para o Afeganistão.
"Penso que capturar ou matar Bin Laden é um aspecto crucial da supressão de Al-Qaida. Não é simplesmente um símbolo, é também o chefe operacional de uma organização que planeja ataques contra interesses norte-americanos", sublinhou Obama.
Também afirmou que fechará o centro de concentração da base ilegal de Guantânamo, na ilha de Cuba, em uma tentativa de reconstruir "a estatura moral dos Estados Unidos no mundo".
"Eu afirmei repetidamente que tenho a intenção de desativar Guantânamo, e continuarei neste caminho, e é isso que farei", disse Obama.
"Afirmei várias vezes que os Estados Unidos não torturam. E vou me certificar de que não torturamos. Isso faz parte dos esforços para recuperar a estatura moral dos Estados Unidos no mundo", destacou.
Obama pode deslocar tropas e fechar Guantânamo por decreto, segundo as prerrogativas presidenciais. Também reiterou que a prioridade legislativa no Congresso é a aprovação de um pacote para estimular a economia.
Apátridas
Clive Stafford Smith, um advogado ativista que representou alguns dos detidos em Guantânamo, advertiu que fechar o campo de concentração é somente o primeiro passo para esforços maiores que o presidente eleito deve realizar no sentido de acabar com as violações e irregularidades da pretensa "guerra ao terrorismo".
Uma das dificuldades, explica ele, será recolocar os detidos cujos países de nascimento se recusam a recebê-los de volta.
"O maior dilema que Obama enfrentará será o que fazer com centenas de refugiados e pessoas apátridas — naturais da Palestina e de vários outros países — que estão autorizados e serem libertados mas não têm para onde ir", disse.
"O maior favor que os outros países podem fazer a favor de Obama agora é oferecer asilo para essas pessoas apátridas", declarou.
Stafford Smith disse que há entre 40 ou 80 pessoas em julgamento no campo de concentração de Guantânamo, enquanto 160 outros aguardam autorização para serem libertados.
Crise econômica
Em acordo com os resultados da reunião de cúpula do G20, que reuniu chefes de Estado e de Governo das 20 maiores do planeta no sábado, Obama disse que uma nova regulação dos mercados financeiros "é esencial para restaurar a confiança dos consumidores".
"Temos que fazer tudo o que for possível para que esta economia se movimente de novo", disse o presidente eleito.
"Não devemos nos preocupar com o déficit do próximo ano ou até mesmo do ano seguinte. A curto prazo, o mais importante é que evitemos que a recessão se aprofunde", completou.
Da redação, com agências
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